Distribuição puxa lucro da Copel no 2º trimestre
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sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
Uma mudança contábil na Copel Distribuição foi responsável pelo crescimento de 21,7% no crescimento do lucro líquido da companhia paranaense como um todo no segundo trimestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano passado. No período de abril a junho deste ano, a estatal teve um lucro líquido de R$ 302 milhões.
O presidente da Copel Distribuição, Vlademir Daleffe, explicou que no primeiro trimestre do ano foi feita uma estimativa de lucro, que só foi efetivamente contabilizada no segundo trimestre. Segundo ele, os reajustes tarifários que a empresa teve neste ano, que já somaram 51% (sem considerar as bandeiras tarifárias), não impactaram no lucro. Isso porque, segundo ele, dos 51%, apenas 0,34% é decorrente dos custos da Copel.
Já o diretor técnico da Associação dos Analistas de Mercado de Capitais (Apimec), Marco Antônio dos Santos Martins, acredita que o reajuste tarifário acabou contribuindo para o aumento do lucro que a estatal registrou no segundo trimestre.
Após a divulgação do balanço, na quinta-feira à noite, as ações preferenciais da companhia (as mais negociadas) fecharam ontem em queda de 0,28% na bolsa de valores e, as ações ordinárias (com direito a voto) tiveram queda de 0,45%. Para Martins, o mercado foi praticamente neutro ao resultado da Copel, já que a preocupação maior hoje é com as variáveis macroeconômicas.
Ainda no segundo trimestre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 493 milhões, alta de 5,7%. A receita operacional líquida somou R$ 3,909 bilhões, com crescimento de 25,4%.
No semestre, o lucro líquido da estatal despencou 7,1% e passou de R$ 831 milhões em 2014 para R$ 772 milhões em 2015. Daleffe explicou que o resultado dos seis primeiros meses do ano pode ser atribuído à utilização de energia das termelétricas que é mais cara que a produzida pelas hidrelétricas.
Em teleconferência ao mercado, o presidente da companhia, Luiz Fernando Leone Vianna, lembrou que este ano iniciou com um cenário adverso no Brasil em razão da possibilidade de racionamento de energia, com a crise hídrica.
Segundo ele, isso encareceu muito o custo da energia e a saída foi implantar as bandeiras tarifárias. "Isso trouxe alívio para as distribuidoras, mas foi um remédio amargo para o consumidor", disse. Ele destacou que o aumento tarifário tem impactado o consumo de energia que, no País, caiu 1,1% no primeiro semestre deste ano. Já a Copel conseguiu um leve crescimento de 1,3% no mercado cativo.
No entanto, ele disse que, apesar da crise do setor, as expectativas são boas para o segundo semestre. A Usina Termelétrica de Araucária, que registrou crescimento de 4,2% no primeiro semestre, deve continuar operando.
A Copel também deve disputar as licitações de concessão do governo federal das suas próprias usinas, de Governador Parigot de Souza (que fica na Serra do Mar do litoral do Paraná) e de Mourão (localizada em Campo Mourão), que tiveram as concessões vencidas em 7 de julho. "Vamos nos empenhar nas licitações", disse Vianna.
O programa de investimentos da companhia teve redução de 3,9% no primeiro semestre e caiu de R$ 1 bilhão nos seis primeiros meses de 2014 para R$ 962 milhões em 2015. Segundo Daleffe, isso não representa uma política de redução de investimentos. De acordo com ele, há obras que têm um ciclo diferente de execução e, por isso, não apareceram ainda neste balanço.


