Distribuição de terras segue concentrada nas mãos de poucos
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Cirilo Junior<br> Folhapress 
Rio de Janeiro - A concentração na distribuição de terras pouco evoluiu entre 1995 e 2006, segundo dados do Censo Agropecuário 2006, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os minifúndios (áreas com até 10 hectares) representavam 2,2% da área total em 1995, e essa proporção chegou a 2,4% em 2006. Já os latifúndios significaram 44% da área total em 2006, ante 45,1% em 1995.
Em relação ao número de propriedades, porém, os estabelecimentos rurais com menos de 10 hectares representaram 47% do total. Já as propriedades com mais de 1.000 hectares corresponderam a apenas 0,91% do total.
Ao todo, eram cerca de 5,2 milhões de estabelecimentos agropecuários em 2006. Eles ocupavam 36,75% do território nacional e tinham como atividade mais comum a criação de bovinos.
A área total dos estabelecimentos agropecuários brasileiros teve redução de 23,7 milhões de hectares entre 1995 e 2006, variação negativa de 6,69%. De acordo com o IBGE, isso pode ter ocorrido em função da criação de novas Unidades de Conservação Ambiental - aumento de 19,09% de área - e da maior demarcação de terras indígenas, que subiram 128,2%, totalizando mais de 60 milhões de hectares.
O Censo aponta ainda que os estabelecimentos agropecuários tiveram redução de 11% nas áreas de florestas entre 1995 e 2006, e de 26,6% em pastagens naturais.
O levantamento demonstra ainda que a (características das grandes propriedades) manteve ou ampliou a concentração de terras em algumas regiões do país especialmente no Centro-Oeste, grande polo produtor de soja.
A produção de soja cresceu 88,8% entre 1995 e 2006, alcançando 40,7 milhões de toneladas. O produto foi cultivado em 15,6 milhões de hectares, o que significou ampliação de 69,3% na área colhida.
''Em termos absolutos, representa um aumento de 6,4 milhões de hectares, caracterizando a soja como a cultura que mais se expandiu na última década. Grande parte desta área pertence à região Centro-Oeste'', informa o IBGE, em comunicado.
A soja foi cultivada em 215.977 estabelecimentos, gerando R$ 17,1 bilhões para a economia brasileira.
O IBGE aponta também que 46,4% dos estabelecimentos agropecuários cultivaram soja transgênica em 2006, com o objetivo de reduzir os custos de produção. As sementes geneticamente modificadas foram cultivadas em 4 milhões de hectares.
Paraná
Um dos principais destaques do Paraná no Censo Agropecuário de 2006 foi o aumento do número de propriedades rurais. O Estado tinha 371.051 estabelecimentos ou 1.176 a mais que no censo de 1996. Esse dado modifica o quadro de tendência de redução, verificado entre os censos de 1985 e 1996, quando o Paraná tinha perdido 96.522 estabelecimentos. Os motivos que levaram a este cenário foram as políticas públicas de estímulo à fixação do produtor no campo, como o Pronaf, o Programa Trator Solidário e o Fundo de Aval. O Estado também é o principal produtor de grãos e responde por 20% do total nacional.


