Para marcar o Dia Nacional de Respeito ao Contribuinte, comemorado em 25 de maio, o Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e de Serviços Contábeis de Londrina e Região (Sescap-Ldr), em parceria com o Conselho de Jovens Empresários da Associação Comercial e Empresarial de Londrina (Conjove-Acil), promoveu ontem, no Calçadão de Londrina, o 1º Bolo Tributário. Foram distribuídos em torno de 1,5 mil pedaços de pão de ló para simbolizar a fatia de impostos que o contribuinte paga.
Também foram expostos produtos e o valor que o contribuinte paga de imposto para comprar cada um deles. "O consumidor não tem noção do quanto paga de imposto. Em uma caipirinha, por exemplo, 76% do valor é imposto", afirmou Jaime Cardozo, presidente do Sescap-Ldr.
O casal Maria José Viana, de 55 anos, doméstica, e Carlos dos Santos Viana, 50, aposentado, se surpreendeu com os valores. "É muito exagerado. Se tirassem um pouquinho desse imposto dava para gente comprar muito mais coisa", disse Maria José. Viana costuma conferir o valor do tributo na nota fiscal e considera "um absurdo a quantidade de dinheiro que a gente paga e o pouco que governo repassa".
Para a autônoma Kátia Flávia de Almeida, 21, o brasileiro paga impostos desnecessários. "Tudo o que você faz ou compra você paga imposto, que já está embutido, e ainda tem que pagar mais imposto. Analisando os países de primeiro mundo, o Brasil tinha tudo para ser melhor se aproveitasse mais esse dinheiro", avaliou.
O financeiro Wilson Pereira, 46, aprovou a ideia de mostrar à população a incidência da carga tributária sobre os produtos. "O povo precisa ter mais conscientização do absurdo que pagamos. Depois que o governo lançou a lei que determina que o valor do imposto esteja na nota fiscal, me assusto com o valor toda vez. O contribuinte não tem retorno desse dinheiro pago. É só ver a precariedade dos serviços públicos", comentou.
A preocupação do sindicato é com a aplicação dos tributos arrecadados. De 1º de janeiro até anteontem, o governo já arrecadou R$ 782 bilhões em impostos, segundo dados do Impostômetro. No ano passado todo, foi R$ 1,6 trilhão. "O sistema tributário precisa ser modernizado. O que a população não percebe é que o imposto é em cascata. Começamos pagando desde o produtor rural até o consumidor final", comentou Jaime Cardozo, presidente do Sescap-Ldr.
Ele enfatizou ainda que além dos impostos, o empresário sofre com a incidência de taxas. São em torno de 93 impostos e taxas federais, estaduais e municipais para colocar um produto no mercado. "Tudo isso é custo que o empresário tem que cobrar de alguém e quem paga a conta é o consumidor", declarou.
Além da modernização, o setor defende a simplificação da tributação e uma mudança na política de aplicação e distribuição dos recursos arrecadados. A União fica com 57% do valor do imposto embutido nos produtos, 25% vão para os estados e 18% para municípios. "Hoje, os municípios são obrigados a assumir a saúde e educação e são os que recebem a menor fatia do bolo. Isso precisa ser revisto", enfatizou o presidente do Sescap-Ldr.
Outro problema que o empresariado enfrenta é a falta de correção da tabela do Simples Nacional, que está sem reajuste desde 2012. "Neste período, a inflação foi de 55%. A correção da tabela do Imposto de Renda também não acompanha a inflação. Isso chamamos de aumento inflacionário da carga tributária."
O sindicato espera que, com a iniciativa, a população passe a exigir o retorno desses impostos. O 1º Bolo Tributário também contou a participação da Federação do Comércio do Estado do Paraná (Fecomércio), Serviço Social da Indústria (Sesi) e Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região (Sincoval).

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