A distração e a pressa são responsáveis por 62,8% dos acidentes ocorridos na construção civil em Londrina. Os dados constam em pesquisa divulgada ontem em conjunto pelos sindicatos das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon) e dos Trabalhadores nas Indústria da Construção e do Mobiliário de Londrina (Sintracom). O levantamento apurou ainda que a maioria das lesões são cortes (36,7%) e luxações (17,5%) as partes do corpo mais atingidas são as mãos (27,2%) e os pés (12,8%).
A pesquisa foi realizada neste ano pela MA Consultores Associados, empresa parceira do Sinduscon e do Sebrae para pesquisas do mercado imobiliário e da construção civil. Foram ouvidos 116 entrevistados por amostragem que sofreram algum tipo de acidente no ano passado. Os dados mostraram que a grande maioria das lesões e traumas acontecem com profissionais considerados experientes. Pouco mais de 28% dos entrevistados têm entre 11 e 20 anos de tempo de profissão; outros 26,7% atuam na área há mais de 20 anos, enquanto 20,7% têm entre 6 e 10 anos de experiência.
Também foi revelado um outro dado alarmante. Do total de obras em andamento na cidade, pelo menos, metade delas é considerada informal. Isso significa que os profissionais estão sendo submetidos à condições irregulares de trabalho, ou seja, sem equipamentos de segurança, registro em carteira profissional ou treinamentos. Além disso, a estimativa é que o número de acidentes neste segmento supera em duas vezes as ocorrências registradas pelo setor formal. A informalidade está sendo fiscalizada pelo Comitê de Combate à Informalidade, formado em parceria pelo Sinduscon e Sintracom.
Números - Um dos itens que também chama atenção é que 84,5% dos entrevistas disseram conhecer as normas de proteção e segurança na construção civil. No entanto, apenas 56% afirmaram usar algum equipamento de segurança. Dentre os que utilizam alguma proteção, os itens mais citados foram luvas, capacete e cinto de segurança. A maioria quase absoluta - 97,4% - considera importante o uso de equipamentos e 63,8% afirmaram ter tido treinamentos sobre o uso correto de itens de segurança.
A pesquisa ainda constatou que 11,2% dos traumas acontecem às sextas-feiras, enquanto outros 10,3% nas segundas-feiras. O restante está diluído nos outros dias da semana em índices praticamente semelhantes. Os acidentes acontecem, principalmente, nas seguintes fases: estrutura da obra (26,7%), seguido pela limpeza do terreno (20,8%), alvenaria (16,7%) e cobertura (10%). Entre os profissionais acidentados, 64,7% concluiu apenas o ensino fundamental; 29,3% têm entre 31 e 40 anos, enquanto outros 28,4% têm idade entre 41 e 50 anos; 78,4% são casados e 25% dos entrevistados têm três filhos, e 17,2% têm mais de quatro filhos.
Prevenção - Para o gerente do Sinduscon Ildo Ioris, coordenador do Comitê Permanente Regional da Norma Regulamentadora 18, que rege as condições de higiene e segurança no trabalho da construção civil, a pesquisa será utilizada para que a entidade inicie um trabalho de prevenção de acidentes no setor. ''Temos que pensar em alternativas de treinamentos e reciclagem para que o problema seja atacado. Ninguém ganha com os acidentes'', salientou.
Segundo ele, devem ser adotadas medidas para a redução dos acidentes nas segundas e nas sextas-feiras. Ele lembrou ainda que já está sendo desenvolvido um trabalho de combate à informalidade com a distribuição de cartilhas de orientações nas obras. ''A NR 18 é uma das mais completas do mundo, mas não temos condições de praticá-la em sua totalidade'', disse.

RAIO-X

Os números dos acidentes

- 35,5% dos acidentes têm como causa a distração;
- 27,2% dos acidentados lesionam as mãos;
- 11,2% dos acidentes acontecem na sexta-feira;
- 26,7% dos acidentes ocorrem na estrutura da obra;
- 50% das obras são consideradas informais, ou seja, não seguem as normas de segurança e as questões trabalhistas;
- 55,1% dos acidentados trabalham na profissão há mais de 11 anos;

Fonte: MA Consultores Associados

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