Distorções entre índices confundem o consumidor
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de novembro de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
As distorções entre os números divulgados pelo governo federal sobre a inflação e como, de fato, o dinheiro é gasto pela população se devem, em geral, às diferenças nas metodologias de pesquisa dos diferentes índices usados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio Econômicos (Dieese) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Para o economista e presidente do Sindicato da classe em Londrina, Francisco de Assis Simões, isso explicaria o hiato entre o aumento do preço da cesta básica em Londrina, de 8% em outubro, como publicado na Folha ontem, e a inflação com base no Indíce de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no mesmo mês, em Curitiba, divulgada pelo IBGE, de 0,29%.
Por isso, notícias seguidas sobre redução dos índices inflacionários nem sempre trazem consigo boas novas para o consumidor. Como explica o economista, o preço da cesta básica sofre grande influência geográfica e sazonal, o que influenciaria diretamente no resultado final inflacionário. Diferente do IPCA, com base de pesquisa mais ampla e, portanto, menos sujeita aos mesmos fatores. A amplitude das pesquisas do IBGE, segundo Simões, garante ao índice mais estabilidade. ''Mais de 100 itens são utilizados como referência para o cálculo do IPCA e isso também colabora para taxas mais baixas, já que juros, aluguel e tarifas de serviços públicos não sobem com tanta frequência'', diz.
Mas como precaução, Simões sugere que o consumidor que tenha interesse em acompanhar a inflação por órgãos oficiais tenha por base o controle feito pela FGV, conhecido por Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M). ''Na minha opinião, é uma entidade mais isenta.'' O economista justifica-se lembrando que as inflações acumuladas em 2003 e divulgadas pelos três principais intitutos de pesquisa são bastante diferentes. ''Acredito que que o IGP-M é um índice que reflete com mais propriedade o contexto normal do consumidor'', conclui.


