Distorção de funções prejudica empresas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de setembro de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Menos de 50% dos funcionários públicos e privados do País trabalham adequados à função que estariam vocacionalmente aptos a realizar e esta distorção afeta sensivelmente o desempenho das empresas. A constatação é da psicóloga pós-graduada em administração de recursos humanos Lia Pazinato, que está hoje em Londrina para proferir palestra sobre o assunto no 5º Congresso Norte Paranaense de Recursos Humanos (Conoparh), que começou ontem e vai até amanhã, no Crystal Palace Hotel (Área Central) .
''A adequação deficitária acontece por erros da empresa e do funcionário. Da empresa quando ela falta na análise do perfil e competências do empregado na hora de escalá-lo em uma função; e do funcionário, quando ele deixa de cumprir as solicitações do empregador'', afirma a psicóloga, explicando como o baixo rendimento gerado pelo mau posicionamento de funcionários pode ser prejudicial ao desempenho de uma empresa. ''Não é possível mensurar o quanto este mau posicionamento afeta o resultado final, mas se a empresa consulta os clientes e constata um índice de satisfação de 50%, esse número pode ser refletido na satisfação do funcionário em trabalhar na função em que está escalado'', acredita Lia.
Normalmente apreciada como a vilã das relações trabalhistas, a empresa não pode ser vista como a única responsável pela situação opressora em que os funcionários se encontram, segundo a psicóloga. ''O empregador é sim o vilão quando não oferece condições mínimas de trabalho, como bons salários, equipamentos e um bom ambiente. Mas por outro lado, os funcionários não podem assumir posturas passivas diante de dificuldades: hoje em dia, exige-se a sensibilidade para saber o momento certo de conversar com o patrão e relatar possíveis problemas'', explica Lia.
A proposta de Lia é o estabelecimento de pactos de comunicação entre todo o organograma empresarial. ''Esta é a opção para que se crie um vínculo honesto entre o patrão e o empregado. As pessoas acham que somente empresas em boa situação financeira podem oferecer condições de trabalho dignas aos empregados, mas a verdade é que a honestidade é o mínimo a ser colocado em prática e isso pode ser feito em qualquer situação'', diz. ''A transparência tem que ser a chave do negócio e deve ser regida por uma ferramenta simples: o contrato firmado entre as duas partes''.
A palestra de Lia Pazinato, ''Pessoas como alavanca para o sucesso do negócio'', acontece hoje, a partir das 8h30. O cronograma do 5º Conoparh prevê também a realização de cursos, workshops e mesas-redondas e laboratórios, todos tendo a administração de recursos humanos como tema. Interessados em mais informações sobre o congresso ou em se inscrever no evento podem procurar a organização pelo telefone (43) 3324 1144.


