Dissídios coletivos podem ajudar a recompor salários
São Paulo - A economista Daniela Bretthauer, do banco Santander, adverte que os produtos da linha branca e marrom, por exemplo, estão com o consumo represado há três anos, com o racionamento de energia em 2001, eleições em 2002, juros altos e crise este ano. Podem, portanto, puxar a recuperação em 2004, mesmo que vagarosamente.
Ela avalia que os dissídios coletivos concedidos neste fim de ano podem significar recomposição efetiva de renda, ainda que parcial, pois encontrarão uma inflação de 5% a 6% no período. Ao mesmo tempo, os bancos, diante da queda dos juros, estariam mais motivados a destinar recursos para o crédito à pessoa física, daí o movimento de muitos deles de comprar financeiras.
O combustível seria, principalmente, a possibilidade do desconto das parcelas em folha de pagamento, autorizado recentemente pelo governo, que remove um forte entrave para o financiamento do consumidor: o risco de inadimplência. Além da certeza do pagamento, está garantida ainda a pontualidade. ''Será uma ferramenta para as pessoas equacionarem suas dívidas'', disse Daniela.
O lado positivo deste novo cenário é que o consumidor estará mais preparado e financeiramente saneado para assumir novas dívidas, quando decidir voltar às compras, destaca Silveira. Isto pode garantir vendas para o varejo com menor risco de inadimplência, ao contrário do que ocorreu frequentemente na história recente do País, quando a cada onda de aquecimento econômico seguia-se uma leva de registros de atraso no SCPC.
Na opinião de Silveira, contudo, este processo vai ocorrer de forma bem lenta, por causa da nova atitude da população e também porque os incentivos são ainda muito esparsos, como o emprego e recuperação da renda. ''Não existe mágica. Os fundamentos da economia hoje não autorizam a pensar em uma recuperação rápida.''





