Curitiba - O Sindicato da Indústria de Veículos Automotores (Sinfavea) está analisando pedido da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo e do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba para negociar a campanha salarial deste ano em dissídio único entre os dois estados. A campanha salarial já está na porta das fábricas e o piso reinvindicado este ano avança de uma média de R$ 850,00 nas três maiores montadoras de Curitiba para um piso único de R$ 1.200,00.
Os metalúrgicos também querem jornada única de 40 horas semanais. As montadoras Renault e Volvo já estabeleceram jornada única de 40 horas. A Volkswagen tem um acordo com os metalúrgicos em que a jornada permanece de 42 horas semanais até março do ano que vem, sendo que a empresa está dando como contrapartida um abono de R$ 700,00. O assunto voltará a ser discutido na montadora, em janeiro de 2005.
A proposta do dissídio único surgiu este ano com o reaquecimento econômico e ganhou a adesão dos metalúrgicos que fabricam veículos automotores, auto-peças, caminhões, ônibus e máquinas agrícolas. De acordo com o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Jamil D'Ávila, o dissídio único visa organizar os trabalhadores em nível nacional para evitar a fuga de empresas para regiões onde o mínimo pago está muito aviltado. ''É o caso dos metalúrgicos que trabalham na fábrica da Mitsubishi em Catalão (G0), que têm um piso de R$ 312,00'', comparou.
Para D'Ávila, com o dissídio único essas diferenças regionais vão desaparecer e as negociações salariais serão mais homogêneas. De acordo com o metalúrgico agora é o momento certo para fazer essa reivindicação porque as indústrias estão operando com plena capacidade ''e chegou a hora das empresas dividir o bolo com os trabalhadores''.
Em São Paulo, o Sinfavea já aceitou antecipar a data-base dos metalúrgicos paulistas que era novembro para 1º de setembro, a mesma data-base dos metalúrgicos do Paraná. De acordo com a assessoria de imprensa do Sinfavea, em São Paulo, o pedido do dissídio único está sob análise e deve sair uma decisão ainda esta semana. Mesmo que não haja uma unificação com os metalúrgicos paulistas, os metalúrgicos de Curitiba estão confiantes que este ano, pela primeira vez, vão poder negociar de uma só vez a pauta de reinvindicações com as montadoras de veículos automotores, de autopeças e de máquinas agrícolas.

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