Disputa ferroviária acaba na polícia
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quarta-feira, 04 de agosto de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A disputa pelo domínio das instalações do Porto Matarazzo e do ramal ferroviário que serve o porto, em Antonina, no litoral do Estado, foi parar na polícia. Ontem, duas viaturas da Polícia Militar (PM), sendo uma da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone), e um investigador de polícia civil se apresentaram nas instalações do Porto Matarazzo para levar o proprietário, Fernando Matarazzo, herdeiro da família Matarazzo, uma das mais tradicionais do País, para a delegacia da cidade.
Segundo Fernando, ele se refugiou dentro das instalações do porto e fechou as portas quando foi ameaçado de prisão pelo investigador. Fernando Matarazzo disse que não é criminoso, os policiais não tinham mandado judicial e não havia razão para ele se apresentar na delegacia conduzido pelo carro da PM. ''Se o delegado quer falar comigo, ele que faça uma intimação marcando dia e hora que me apresento'', afirmou.
Fernando atribuiu a arbitrariedade da polícia à disputa dele com a direção do Porto de Antonina que não aceita as obras que estão sendo feitas por ele no porto. A família Matarazzo é proprietária do ramal ferroviário de três quilômetros que liga Antonina ao porto e das instalações portuárias que operavam com todo vigor no início do século passado.
De acordo com o herdeiro, ele está investindo mais de R$ 1 milhão na recuperação das instalações portuárias. Recentemente, ele aproveitou a interrupção do tráfego de trens em função do acidente ocorrido na Serra do Mar, para recuperar o ramal ferroviário. Nessa recuperação, retirou a peça de desvio (chave de desvio), o que obriga as locomotivas a passarem por dentro da propriedade dos Matarazzo.
A intenção da família é cobrar uma taxa de passagem da América Latina Logística (ALL), empresa que explora a ferrovia no Paraná. De acordo com Fernando Matarazzo, os trens da ALL passam pelo trecho há oito meses mas nenhum pagamento ainda foi acertado.
O herdeiro acusou o diretor do Porto de Antonina, Leopoldino Abreu, pelo incidente policial. Disse que no ano passado, chegou a ficar 24 horas preso e foi solto por um habeas corpus. Abreu se defendeu, alegando que não pode tomar decisões em nome do governo Roberto Requião (PMDB) e disse que inclusive está entuasiasmado com as obras de recuperação do Porto de Antonina.
O delegado de Antonina, Darcy Pacheco, não foi encontrado pela reportagem para explicar a ação policial.


