Em mais um capítulo do contencioso Brasil-Canadá em torno da disputa comercial entre Bombardier e Embraer, a Organização Mundial do Comércio (OMC) poderá aprovar hoje um painel (mecanismo de solução de controvérsias) para julgar o Programa de Financiamento das Exportações (Proex). O governo canadense alega que o Brasil não está cumprindo as determinações da OMC feitas no ano passado, que exigiam uma reforma do Proex.
O chefe da missão brasileira na OMC, embaixador Celso Amorim, disse ontem, em entrevista à Agência Estado, que ‘‘obviamente’’ a decisão canadense de proibir as importações de carne brasileira tem relação com a disputa entre a Embraer e a Bombardier. Segundo ele, todas as vezes que países como o Brasil colocam na pauta de discussões uma questão de forma mais ampla, são acusados de estar politizando o debate.
‘‘Mas nesse caso da disputa entre a Embraer e a Bombardier, quem politizou a questão foram os canadenses, não apenas por meio de palavras, mas também ações’’, afirmou.
Além disso, segundo ele, a decisão do governo canadense de oferecer subsídios à Bombardier na venda de aviões para a Air Wisconsin foi ‘‘uma retaliação a mais, nunca autorizada ou prevista pela OMC’’.
Amorim usou uma comparação para ilustrar o que o Canadá está tentando fazer com o Brasil: ‘‘Se no seu bairro você acusa o filho do vizinho de estar envolvido com drogas, ninguém vai querer que o filho saia com ele até que se prove o contrário. Você transfere o ônus da prova de maneira totalmente indevida e isso é um pouco o que o Canadá está tentando fazer conosco.’’

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