Disputa deixa mercado firme no PR
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Vânia Casado 
As empresas de integração de aves e suínos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão inflacionando o mercado de milho no Paraná. Em pleno período de safra, a saca de milho está sendo vendida aos consumidores a R$ 10,50 na região Oeste do Estado. A disputa pelo milho paranaense é consequência da quebra da safra gaúcha, avaliada em 20,5% pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da desvalorização cambial. Isso porque os dois estados adquiriam o milho na Argentina para completar as necessidades de abastecimento. Essa prática ficou inviável depois da desvalorização, disse o técnico da Conab em Brasília, Ézio Santiago.
Com isso, a tendência é que os preços do milho mantenham-se aquecidos ao longo do ano, o que deverá estimular a produção. O produtor recebeu ontem, R$ 8,29 a saca, segundo o Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura. Segundo o técnico, Altair Araldi, os indicativos no mercado futuro são de preços ainda maiores. Para maio, a cotação prevista na Bolsa de Mercadorias e Futuros de São Paulo é de R$ 11,75 a saca e para setembro, R$ 13,50 a saca. A colheita do produto no Paraná foi intensificada na última semana e atinge 33% da área plantada na primeira safra. Nem isso foi suficiente para derrubar os preços.
O superintendente da Conab no Paraná, Lafaiete Jacomel, aposta no bom desempenho da safrinha para evitar especulações com o mercado. Ele está preocupado porque normalmente nessa fase do ano as empresas gaúchas e catarinenses se limitavam a comprar milho no Paraná, somente na região de divisa com Santa Catarina.Este ano estão comprando na região norte do Paraná, até em Cornélio Procópio, contou.
Em nível nacional, o quadro de abastecimento do milho está bastante apertado. Segundo a Conab-Brasília a produção nacional de milho é de 32,65 milhões de toneladas para um consumo de 35 milhões de toneladas. A diferença será coberta por um estoque de passagem de 98 para 99, de 2,4 milhões de toneladas e pela importação de aproximadamente 1 milhão de toneladas. Além disso, a Conab em Brasília está prevendo um estoque final de 1.060.000 toneladas de milho.
No Paraná, a expetativa de produção permanece entre 5, milhões e 5,9 milhões de toneladas na safra normal e de 2, milhões de toneladas na safrinha. Segundo a técnica do Deral, Vera Zardo, a área plantada na safrinha aponta para um potencial de produção de até 2,6 milhões de toneladas o mesmo volume colhido no ano passado, mas esse desempenho depende das condições de clima, ressaltou.
Vendas em balcão A Conab-PR reservou para 99 todo o estoque de milho do Estado, avaliado em 80 mil toneladas para vendas em balcão, para atender os pequenos produtores que compram até 30 toneladas por mês. Jacomel reconhece que o estoque não é expressivo, mas argumentou que no ano passado a Conab vendeu 50 mil toneladas de milho no balcão.
A Conab está vendendo o milho no balcão a R$ 8,70 a saca. Na região Norte, as vendas foram suspensas porque o preço praticado no mercado está abaixo desse limite e é preferível que os próprios produtores de milho vendam a safra, afirmou o superintendente da Conab. Já na região Oeste, onde o preço se mantém elevado, a Conab está mantendo as vendas em balcão.
Jacomel orientou às grandes empresas consumidoras a fazerem seus estoques agora em período de safra. Ele observou que não dá mais para elas contarem com a possibilidade de o governo fazer estoques reguladores para depois promover interferências no Mercado.Isso porque os preços deverão se manter acima do mínimo e o governo não vai intervir com produto do Paraná que deverá ser absorvido totalmente pelo mercado. Ele não descartou a possibilidade interferência com o produto estocado na região Centro-Oeste.


