Rio - A disposição das famílias para o consumo subiu ligeiramente em fevereiro em relação a janeiro, mas recuou na comparação com o ano passado, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgados nesta sexta-feira. A Pesquisa Nacional de Intenção de Consumo das Famílias (ICF-Nacional) registrou índice de 135,6 pontos, 0,4% acima do verificado em janeiro, mas 3,8% abaixo de 2012.
A pesquisa antecipa o comportamento das vendas no varejo, segundo a CNC. A entidade trabalha com a projeção de alta de 6,7% no comércio neste ano, contra 8,4% em 2012, informou Bruno Fernandes, economista da CNC.
Segundo ele, o endividamento ainda em níveis elevados e a inflação são os dois principais fatores a minar a confiança dos consumidores neste início de ano. Se o endividamento e a inadimplência foram preocupações ao longo de 2012, a expectativa de preços em alta corrói a renda do trabalhador e dificulta a melhoria do primeiro quadro. "Este ano, a inflação tende a ser um fator negativo para o consumo", afirmou Fernandes.
Na avaliação do economista, 2013 tem tudo para ser um ano de melhor crescimento econômico, com uma perspectiva de redução nos níveis de endividamento e inadimplência. O problema é que a inflação torna o processo mais lento. Ano passado, já se esperava que 2013 começasse com um quadro mais favorável em relação às dívidas das famílias, mas a lentidão na melhoria prejudica a expectativa de um avanço mais significativo neste ano.
Fernandes destacou ainda que os subíndices do ICF relacionados ao consumo pioraram tanto na passagem de janeiro para fevereiro quanto na comparação de fevereiro deste ano com igual mês de 2012. Na comparação mensal, recuaram os indicadores "compra a prazo" (3,2%), "nível de consumo atual" (7,3%) e "perspectiva de consumo" (0,2%).
A exceção foi o subíndice "momento para duráveis", com alta mensal de 13,8% - mas, na comparação com fevereiro de 2012, houve queda de 4,3%. Segundo Fernandes, foi um movimento pontual, baseado na percepção de que os preços subirão com o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para móveis e linha branca. "É uma antecipação de consumo diante de uma provável piora nas condições no futuro."

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