São Paulo - A disparada dos preços das commodities representam um grande risco para a economia mundial. Com esses produtos em alta, a inflação deve aumentar, o que pode trazer mudanças na condução da política monetária de vários países.
No caso dos Estados Unidos, uma alta mais intensa da inflação colocaria o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), num dilema. ''Hoje, o banco central americano está priorizando a atividade econômica e reduzindo os juros para conter uma forte desaceleração. Se tivesse de subir os juros para evitar a inflação, a recessão seria inevitável'', afirma o economista Fábio Silveira, da RC Consultores.
Para economista-chefe para a América Latina do Banco Real ABN Amro, Alexandre Schwartsman, o risco inflacionário está aí, até mesmo em países com tradição de inflação baixa, como a China. Schwartsman afirma que, para o Brasil, assim como aos demais exportadores de commodities, o risco maior não é a alta dos preços, mas a reversão desse processo. Isso porque os preços elevados sustentam uma forte elevação das exportações brasileiras e permitem um crescimento vigoroso das importações sem a deterioração mais aguda das contas externas. ''Isto, por vez, permite que a demanda doméstica cresça a uma velocidade muito alta, trazendo consigo o PIB (Produto Interno Bruto). Boa parte da boa história de crescimento brasileiro foi possível pelos ganhos associados aos preços de commodities.''
Só para ter idéia, o número de contratos nas mãos de fundos de investimentos tem crescido diariamente. Até o dia 11 de março, dados da Commodity Future Trading Commission, dos Estados Unidos mostravam que esses investidores detinham 30 mil contratos de trigo, na Chicago Board of Trade ( Bolsa de Chicago); 291 mil contratos de milho; e 104 mil, de soja. Os números são bastante altos comparados ao volume tradicional, afirmam especialistas.

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