O Ministério da Indústria, Comércio e Turismo avaliou ontem o comportamento da balança comercial nos quatro primeiros meses deste ano, quando o déficit acumulado chegou a US$ 3,989 bilhões (US$ 951 milhões somente em abril). A importação de bens de consumo (eletroeletrônicos e carros, por exemplo) aumentou 41,8% de janeiro a abril quando comparada com o mesmo período do ano passado. Os gastos com esses produtos passaram de US$ 2,55 bilhões para US$ 3,62 bilhões.
A importação de automóveis contribuiu com um aumento de 147%. Isto é, passou de US$ 266 milhões para US$ 657 milhões. No período, porém, o que mais pesou na pauta de importações brasileiras foi a compra de bens de capital (equipamentos e máquinas). Tiveram um aumento de 49,8%, conforme os dados divulgados ontem.
O aumento na importação de bens de capital e de consumo no período contribuiu para que o déficit da balança comercial de janeiro a abril ficasse em US$ 3,98 bilhões. Déficit da balança comercial significa que o valor das importações superou o das exportações. Em abril, o déficit foi de US$ 951 milhões. No mês, as importações totalizaram US$ 5,58 bilhões e as exportações US$ 4,62 bilhões.
Em abril, a importação de bens de consumo aumentou 50,3% em relação ao mesmo mês de 1996. No caso dos veículos, esse crescimento foi de 109% - foram gastos US$ 215 milhões com importações de carros.
O secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Rui Lyrio Modenesi, disse que o aumento na importação dos bens de consumo verificado em abril não deve se repetir nos próximos meses. Mesmo assim, disse ele, o governo está acompanhando o comportamento das vendas nos setores onde foi registrado aquecimento de vendas nos três primeiros meses deste ano (veículos e eletrodomésticos).
As vendas aquecidas no mercado interno pressionam a balança comercial nas duas pontas. Pelo lado das importações porque aumenta a compra desses produtos no mercado externo e contribui para o déficit. Também há impacto pelo lado das exportações: vendas elevadas de automóveis e eletrodomésticos implicam em maior consumo interno de laminados (chapas) planos de ferro e aço - produtos que poderiam ser exportados se houvesse excedente.
O motivo do aumento de importação de bens de capital, segundo o governo, foi o crescimento do consumo interno para ‘‘atender ao crescimento da produção’’. Se necessário, novas medidas podem ser adotadas para conter a expansão. A queda na exportação de laminados de ferro e aço também aconteceu devido aos investimentos em infra-estrutura (rodovias e telecomunicações). A receita com a exportação desses produtos caiu de US$ 500 milhões de janeiro a abril de 1996 para US$ 309 milhões no mesmo período deste ano.

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