Discussão sobre IPI menor para carro chega a impasse
Agência Estado
De Brasília
Governo, montadoras e trabalhadores não chegaram a um acordo ontem sobre a prorrogação do regime especial do setor automobilístico, que reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros. Hoje, o governo, a Anfavea e os sindicalistas vão manter contatos telefônicos para tentar chegar a um consenso. Na prática, o IPI volta hoje à sua alíquota original, 10% para carros populares e 25% e 30% para carros médios, se houver faturamento de carros, como disse o presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto (foto). Vai depender de cada montadora esperar ou não o acordo.
O secretário de Política Industrial, Hélio Mattar, propôs a prorrogação do regime por 60 dias, mas com aumento de um ponto percentual no IPI, que subiria de 7% para 8% para os populares e de 20% para 21% para os carros médios. Em troca, o governo queria a manutenção dos empregos no setor por 120 dias e que o IPI não fosse repassado aos preços. As montadoras não aceitaram: ofereceram apenas a manutenção de preços por 45 dias, até 15 de outubro, e de empregos por 60 dias, até 30 de outubro.
O governo recuou de sua proposta original e diminuiu de 120 para 90 dias o prazo para a estabilidade dos empregos e aceitou o repasse do aumento do IPI para os carros médios. O preço dos carros médios não é tão sensível ao consumo como são os populares, disse Matar. Apesar de a discussão continuar, o secretário disse que não vê maneiras de o governo fazer mais concessões.
O setor automobilístico teve prejuízo de R$ 1,7 milhão no primeiro trimestre, disse Pinheiro. Segundo ele, o levantamento foi feito pelas auditorias Enerst Young e Trevisan. O secretário disse que o governo concordou em repassar o aumento do IPI ao preço dos carros médios porque reconhece que houve aumento de custos.
Segundo o secretário, foi possível recuar em trinta dias na manuntenção dos empregos porque a prorrogação do regime especial depende do início do Programa Nacional de Renovação de Frotas, com o qual o governo espera aquecer o setor aumentando a produção e criando empregos. O projeto começa de maneira experimental em 30 dias.





