A reforma da Previdência foi talvez o melhor mimo com o qual o governo do PT acenou para o mercado neste período de lua-de-mel. Inimigo feroz da proposta de Fernando Henrique Cardoso, que não atingia os servidores da ativa, o PT agora apresenta a sua, que atinge (mas preservando os direitos adquiridos no período decorrido até a aprovação da reforma). O formato é de um sistema único de previdência pública para os servidores (dos três níveis de governo) e os trabalhadores do setor privado, com um teto acima do qual cada um contribui com o que pode, para fundos de pensão, e recebe de acordo com o que contribuiu.
Esta reforma pode trazer até algum impacto negativo a curto prazo, mas em cerca de 5 anos coloca o sistema na rota da solvência. A sua aprovação faria o mercado vibrar de felicidade (já que a Previdência é a principal causa do desequilíbrio fiscal no Brasil), mas os mais exigentes gostariam também de que fosse instituída a contribuição dos inativos. Ela renderia talvez R$ 5 bilhões por ano, nada espetacular em termos fiscais, mas que sempre é alguma coisa e teria, para alguns, um caráter ''simbólico''.
A última exigência do mercado, para manter o clima carinhoso com o governo Lula, é a autonomia operacional do BC, também prometida nesta fase de afagos.
Mais detalhista do que os operadores das mesas, o economista Fábio Giambiagi, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), lembra que, entre beijos, abraços e muitos planos de felicidade, ninguém está lembrando da prorrogação tanto da CPMF como do dispositivo de desvinculação de 20% das receitas da União (DRU). Ambas as medidas exigem emendas constitucionais e têm que ser realizadas em 2003, sob pena de provocar grandes estragos na área fiscal.

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