O discurso de posse e as primeiras atitudes de alguns dos novos governadores dão a impressão de que os próximos quatro anos serão um pouco melhores para a economia brasileira. Entre os eleitos, três deles - Jacques Wagner (PT), governador da Bahia; José Serra (PSDB), governador de São Paulo e Aécio Neves (PSDB), governador de Minas Gerais - iniciaram o mandato fazendo o que toda empresa faz o tempo todo: reduzir custos para aumentar a competitividade.
O petista Jacques Wagner anunciou que não irá preencher 30% dos cargos comissionados. O tucano Aécio Neves também afirma que cortará 25% dos atuais cargos comissionados. O também tucano José Serra vai mais longe, além de cortar 20% dos cargos comissionados irá fazer um recadastramento de todos os funcionários para descobrir se há fantasmas recebendo indevidamente. O motivo é único. Praticamente todos os estados brasileiros estão com problemas de caixa e sem essas medidas sobra pouco ou quase nada para investimentos.
''São medidas como estas que nos fazem acreditar que os próximos anos podem ser melhores para a economia. Temos que pensar que os governos não geram riquezas, porém são indutores da economia. São eles que criam possibilidades de crescimento econômico. E não tenha dúvida: há muito o que fazer. No Paraná, por exemplo, temos o problema do pedágio que é um peso enorme no custo das empresas. O governador Requião, reeleito, diz que vai criar estradas paralelas. Mas será que vai mesmo?'' pergunta o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro. ''Temos que mudar a cultura dos governantes. Dinheiro público não é apenas para manter a máquina do governo e sim para investir'', afirma Ribeiro.
Nesta semana a Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústria de Base (Abdib) divulgou um levantamento mostrando que sem investimentos na infra-estrutura não há como o Brasil crescer a taxas superiores a dos últimos anos - em média 2,5%.
O setor de infra-estrutura brasileiro recebeu, segundo o relatório da Abdib, investimentos de R$ 65,7 bilhões em 2006. Estes recursos, mesmo sendo 13% superiores aos R$ 58 bilhões destinados à infra-estrutura em 2005, representam somente 75% do montante que o setor necessita de investimentos, anualmente - R$ 87,7 bilhões - para que o país cresça a taxas superiores às atuais, de forma continuada.
Conforme o levantamento da Abdib o setor de transportes, em geral, investiu no ano passado, apenas um terço do necessário para recuperar rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. A Abdib calcula que a precariedade do setor deve ter custado 12% do PIB, perdas da ordem de R$ 252 bilhões, o que significa, para cada R$ 1 não aplicado são R$ 17 perdidos, numa conta feita pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
Segundo o presidente da Abdib, Paulo Godoy, as deficiências da infra-estrutura brasileira estão entre os principais entraves ao crescimento em um ritmo maior que 3% ao ano, por longo prazo. ''Não há portos nem estradas capazes de escoar uma produção muito maior que a atual. Também não existe capacidade de geração de energia elétrica que permita um salto no PIB sem o risco de um novo apagão'', afirma Godoy.
Os setores de transporte e saneamento aparecem no fim da fila. O primeiro ficou com R$ 6,4 bilhões, o equivalente a 38% do que deveria ter sido despendido. Saneamento recebeu R$ 3,6 bilhões, o que representa 37% do necessário.
''Esta é uma preocupação constante. Veja o problema que podemos ter. A safra agrícola dá mostras que será muito melhor do que a do ano passado, as exportações de carne estão sendo retomadas. Com a infra-estrutura deficitária como a que temos, se a produção aumentar muito poderemos dar um tiro no próprio pé. Ou o governo passa a investir urgentemente na infra-estrutura ou o sonho do crescimento a taxas de 5% ao ano não passará de um sonho'', diz Ribeiro.

Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-LDR

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