Discurso moderado do novo governo agrada investidores
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segunda-feira, 06 de janeiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo O começo do governo do PT agrada aos investidores, o que ficou evidente no comportamento do câmbio e do risco país na quinta e sexta-feira. O dólar encerrou a semana em R$ 3,445, nível mais baixo desde 20 de setembro, enquanto o risco ficou em 1.330 pontos, o menor desde 18 de junho. O capital de curto prazo voltou ao País, e alguns bancos e empresas têm conseguido captar recursos no exterior, um movimento estimulado pelo discurso moderado dos integrantes do governo, principalmente do ministro da Fazenda, Antônio Palocci.
Como as declarações de integrantes do PT afastaram o temor de calote ou de medidas como o controle de câmbio, pelo menos no curto prazo, o Brasil passou a receber dinheiro especulativo, que vem ao País para embolsar a diferença entre os juros internos e externos. Além disso, o interesse dos investidores por títulos da dívida brasileira aumentou, uma vez que os atuais preços dos papéis embutem ganhos elevados, mesmo depois de o risco país ter caído forte desde outubro, quando atingiu o recorde de 2.443 pontos. Um risco país a 1.330 pontos indica que os papéis brasileiros pagam, em média, 13,30 pontos porcentuais acima dos títulos do Tesouro americano.
Essa melhora da percepção do risco Brasil abriu espaço para captações do setor privado. O Bradesco, por exemplo, deve concluir hoje ou amanhã uma emissão de eurobônus. A oferta inicial é de US$ 50 milhões, mas a expectativa é que esse valor pelo menos dobre, por causa da boa demanda pelos títulos. O banco, que captou US$ 175 milhões por seis meses em dezembro, com cupom (juro fixo) de 6,75% ao ano, vai emitir papéis de nove meses, pagando entre 6,375% e 6,625%.
O clima de bom humor se deve à percepção de que o governo vai manter uma política fiscal austera e se empenhar em aprovar a reforma da Previdência e regulamentar o artigo 192 da Constituição, que abre espaço para a autonomia do Banco Central (BC).
Para os analistas, a trajetória do dólar e o risco país é de queda. O próximo vencimento de papéis cambiais que pode pressionar o câmbio , de US$ 1,2 bilhão, ocorre dia 16. O maior risco no momento é de que uma eventual guerra no Oriente Médio, além de levar à alta dos preços do petróleo, aumente a aversão global ao risco.
Nesta semana, o mercado vai ficar atento à divulgação do cronograma de discussões sobre a reforma da Previdência, que deve ser apresentado até a sexta-feira, e ao anúncio de vários índices de preços. O nível da inflação e a tendência do dólar vão indicar se o Comitê de Política Monetária (Copom) terá de aumentar mais os juros, hoje em 25% ao ano, na reunião dos dias 21 e 22. Hoje sai o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe de dezembro; na quarta-feira, a primeira prévia de janeiro do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) da FGV; e na sexta-feira, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE de dezembro.


