Discurso de Lula lido em Davos aponta avanços do Brasil
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sábado, 30 de janeiro de 2010
Daniela Milanese<br> Agência Estado 
Davos, Suíça - Pela primeira vez, o Fórum Econômico Mundial quebrou o protocolo e deixou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ler o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de entrega do prêmio ''Estadista Global'', ontem. A mensagem do presidente brasileiro a Davos tratou da necessidade de mudanças na economia global, para evitar novas crises, e de esforços mais fortes pela preservação do meio ambiente. O discurso também descreveu os avanços obtidos pelo Brasil nos últimos anos, que permitiram uma recuperação rápida em meio à turbulência global, na avaliação do presidente.
''O Brasil provou aos céticos que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza.'' Ele avalia que o olhar para o Brasil hoje é muito diferente do que há sete anos, quando esteve pela primeira vez em Davos, logo que chegou ao poder. Havia dúvida sobre o operário sem diploma universitário, vindo da esquerda sindical. No discurso de 2003, Lula frisou que era necessário construir uma nova ordem econômica internacional. ''Sete anos depois posso olhar nos olhos de cada um de vocês e do meu povo e dizer que o Brasil fez a sua parte'', diz a mensagem lida por Amorim. ''Ainda precisamos avançar muito, mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou.''
Ele lembrou que 20 milhões de pessoas saíram do estágio de pobreza absoluta, enquanto o País reduziu o endividamento externo e se tornou credor do FMI. Para Lula, o Brasil caminha para se tornar a quinta economia mundial. O discurso também trouxe críticas ao capitalismo financeiro e a defesa do papel do Estado na economia. O presidente avalia que o principal fator que ajudou o Brasil no combate à crise foi o modelo econômico de incentivo ao crédito e ao consumo e de redução de impostos, reforçado durante a turbulência. Lula, conforme as palavras lidas por Amorim, pediu uma mudança profunda na ordem econômica, de forma a privilegiar a produção e não a especulação.
Segundo ele, os governos devem recuperar o seu papel original, que é o papel de governar. ''É hora de reinventar o mundo e suas instituições.'' O presidente brasileiro também mandou uma mensagem de frustração com o cenário mundial. ''Os desafios do mundo são maiores que os enfrentados pelo Brasil. O mundo precisa de mudanças mais profundas e complexas.'' Segundo ele, Copenhague foi um exemplo, já que a humanidade perdeu uma oportunidade de avançar na preservação ao meio ambiente.
O prêmio ''Estadista Global'', concedido pela primeira vez pelo Fórum Econômico Mundial, foi entregue pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan ao ministro Amorim, que representou Lula.
Política econômica
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse em Davos que acha normal uma certa apreensão dos investidores diante do ano eleitoral. Mas ele minimizou a situação e afirmou que não existe espaço político para uma mudança drástica de política econômica. ''Não há duvida de que existe sempre uma preocupação. É normal, em qualquer país do mundo, pois sempre se discute o que o próximo governo vai fazer e se vai manter ou não'', afirmou.


