São Paulo - Os cinco proprietários e três diretores da cervejaria Schincariol, que passaram dez dias na custódia da Polícia Federal em São Paulo, voltaram ontem ao trabalho. Como rotina nas segundas-feiras, a direção fez a primeira reunião às 8 horas na matriz do grupo, em Itu, a 98 quilômetros da capital. Eles avaliaram as perdas no período em que foram mantidos presos. O balanço não foi divulgado.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins de Campinas e Região, a estimativa é de que 30% da mão-de-obra já estava ociosa. Os trabalhadores não participaram de reunião.
A Polícia Federal informou que continua analisando os documentos apreendidos durante a Operação Cevada, realizada em conjunto com a Receita Federal. Pelo que já foi visto, a PF afirma ter um ''bom material'' para sustentar as acusações de sonegação fiscal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção ativa, envolvendo a Schincariol, outras cervejarias e algumas distribuidoras. Foram presos 68 suspeitos de participação no esquema. Entre a madrugada de sábado e domingo, 66 foram liberados. Dois foram mantidos por terem mandado de prisão preventiva.
O advogado da Schincariol, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, diz que poderá, por meio de petição ao juiz do processo, incluir ''manifestações pontuais'' sobre inverdades no documento, referentes à acusação.
Processo - A manifestação de ''repúdio'' dos representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre os mandados de busca e apreensão em escritórios de advocacia foi parar na Justiça. O Procurador da República em Taubaté, João Gilberto Gonçalves Filho, instaurou inquérito civil público para apurar se houve danos morais nas declarações. De acordo com Gonçalves Filho, as manifestações ''procuram denegrir o trabalho sério, dedicado e lícito das instituições republicanas, atingindo injustamente o sistema estatal de persecução penal''.
A OAB tem até 14 de julho para se defender. O inquérito foi instaurado logo depois de a PF efetuar mandado de busca e apreensão nos escritórios dos advogados da Schin, em Sorocaba. Segundo o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, a ''invasão dos escritórios de advogados não acusados, com objetivo de conseguir provas de seus clientes, põe em risco o estado democrático de direito''. Ele afirma ser ilegal a prática e diz que é direito da OAB reagir.

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