Diretora do FMI vai se reunir com FHC
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quinta-feira, 18 de julho de 2002
Agência Estado 
Brasília - A vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, virá ao Brasil na próxima semana e terá contatos com representantes do governo brasileiro. Na terça-feira, ela almoça com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e no mesmo dia tem agendado um encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Assessores da área econômica se esforçam para evitar expectativas em torno da visita. Oficialmente, ela virá a Brasília de passagem, pois seu objetivo principal é a participação do Encontro Latino-Americano da Sociedade Econométrica, na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, na quarta-feira.
No entanto, o simples anúncio da vinda de Krueger ao Brasil fez despencar as cotações do dólar e lançou a expectativa de que um novo entendimento com o Fundo pode estar muito próximo. Analistas do mercado apostam na prorrogação do acordo do Brasil com o FMI. Técnicos da área econômica evitam falar sobre o assunto. Eles ressaltam, porém, que tanto a vinda de Krueger quanto a do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Paul O'Neill, programada para o fim de julho ou início de agosto, marca uma mudança no tratamento dispensado pela administração George W. Bush ao Brasil.
O passado recente mostra que são grandes as chances de um novo acordo com o Fundo. Em 1998, o Brasil conseguiu firmar um programa com o FMI num momento em que sofria com turbulências no mercado internacional iniciadas pela falência de um megafundo norte-americano, o LTCM.
Agora, da mesma forma, o País enfrenta dificuldades principalmente por causa da crise de confiança do mercado, após os escândalos de fraudes nos balanços de grandes companhias dos Estados Unidos.
Se o Brasil optar por um novo acordo com o FMI, boa parte do trabalho já estará feita. O governo já firmou em lei a meta fiscal para o ano que vem, que é de 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB). O número consta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2003, aprovada pelo Congresso em junho. Também já está escolhida uma meta de inflação, que é mais folgada do que a deste ano: 4%, com margem de tolerância de 2,5 pontos porcentuais. Ou seja, a meta será considerada cumprida se a inflação for de até 6,5%. A meta deste ano é de até 5,5%, e o mercado já dá por certo seu descumprimento. As metas fiscal e de inflação são o coração do acordo com o FMI.
Malan não descartou a possibilidade de uma prorrogação do acordo com o FMI para garantir maior tranquilidade no período de transição do governo brasileiro. Essa, afirmou, é uma das várias idéias em exame no momento. ''Não estamos fixos em nenhuma nem excluindo nenhuma. Até o dia 31 de dezembro deste ano, este governo não deixará de governar, e tomará as decisões que lhe pareçam apropriadas'', afirmou.
Na avaliação do ministro, o FMI deixou aberta a possibilidade de dialogar ''com esta e com qualquer futura administração baseada em políticas econômicas sólidas'', em nota divulgada há duas semanas.


