Diretora do FMI chega hoje para 'avaliação pessoal'
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domingo, 18 de maio de 2003
Agência Estado 
Washington - A visita que a primeira vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Anne Krueger, fez ao Brasil no início do ano passado, foi um momento importante da articulação que produziu, em agosto, a abertura de uma linha de crédito de US$ 30 bilhões. Esses recursos permitiram ao País enfrentar a crise de confiança gerada pela sucessão presidencial, evitar o calote e pavimentar o caminho para a transição de governo.
Com o sucesso da operação confirmado pela queda do risco Brasil, o retorno do País ao mercado de capitais e as previsões positivas que analistas de Wall Street sobre a economia brasileira, Anne Krueger desembarca hoje em São Paulo. Ela fará ''uma avaliação pessoal'' do quadro econômico brasileiro, disse um funcionário do FMI.
Acompanhada pelo diretor do departamento do Hemisfério Ocidental, Anoop Singh, Anne terá encontros com economistas, empresários, estudiosos e formadores de opinião na capital paulista antes de iniciar os contatos no governo, em Brasília. Segundo a fonte do FMI, a visita, oficialmente classificada ''de cortesia'', não está ligada à revisão do acordo com o Fundo, que deverá resultar na liberação de mais uma parcela - de US$ 9 bilhões - do empréstimo ao País.
A diretora do FMI, responsável pela formulação da bem sucedida estratégia de engajamento com a administração Luiz Inácio Lula da Silva, deverá decepcionar os que estiverem interessados em ouvir dela reparos à condução da política econômica brasileira. A determinação com que o presidente Lula assumiu o programa econômico, a energia com que abraçou a causa das reformas previdenciária e tributária e os avanços já feito na tramitação da emenda constitucional que dará autonomia ao Banco Central têm alimentado, mais do que a aprovação, o entusiasmo da administração do FMI em relação ao País.
Embora não constem explicitamente em sua agenda, dois temas devem integrar as conversas de Anne Krueger e Anoop Singh em São Paulo e Brasília. O primeiro é o início do mapeamento da relação entre o Brasil e o FMI depois que terminar o acordo entre o País e a instituição, no final do ano. O segundo, é o efeito salutar que o bom exemplo de transição com estabilidade dado pelo Brasil poderá ter para a Argentina, cujo acordo preliminar com o FMI termina em três meses.
Para o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, que toma posse no dia 25, chegar a um entendimento com o FMI é essencial para que a Argentina inicie o longo e penoso caminho de reconquista da confiança e do crédito.


