Diretor do FMI ouve sermão sobre 'economia da salvação'
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de novembro de 2002
Agência Estado 
Brasília Em meio a reuniões internas de análise dos dados da economia brasileira, o diretor-assistente do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Lorenzo Perez, que participa da missão que está no País para a primeira revisão do acordo com o Brasil, aproveitou a manhã do domingo para assistir a uma missa na capela jesuíta do Centro Cultural de Brasília.
O representante do FMI não conseguiu, porém, fugir dos temas econômicos. Acabou ouvindo um sermão recheado de jargões muito mais usados pelos economistas, como capital, investimento, superávit, déficit, riqueza e mercado.
''Existe outra economia além da do mercado. Existe a economia da salvação, que é para nós muito mais importante'', pregou o padre polonês Miroslaw Matyja ao falar sobre o tema do dia do Evangelho. No sermão, Matyja discorreu sobre a necessidade da prudência para manter a casa unida, mesmo nos momentos econômicos mais difíceis. ''Quem não percebe o pobre que dorme debaixo do viaduto, quem não percebe o que acontece no mundo, a injustiça, a desigualdade, enterrou o seu talento em algum lugar porque está com medo de mudar e, com medo, não se muda nada'', disse Matyja, que faz parte da ala progressista da Igreja Católica.
Matyja falou também sobre os talentos que todas as pessoas possuem e o uso que deve ser feito deles para a construção de uma realidade melhor. O jesuíta também pregou no sermão que as pessoas não podem ter ''nem superávits nem déficits'' na vida. ''Perceba, abra os olhos, o coração, para o que acontece aqui, para o capital, a riqueza das pessoas, independentemente do que elas são, dos que elas têm''.
Ex-representante do FMI no Brasil, Perez participou da missa o tempo todo constrangido com o assédio da imprensa durante a cerimônia religiosa. Frequentador assíduo da capela quando residia em Brasília, o diretor do Fundo se queixou com amigos da presença dos fotógrafos.


