Diretor do FMI elogia solidez da economia brasileira
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quarta-feira, 11 de julho de 2001
Agência EstadoDe Brasília 
Num dia de muito nervosismo e pessimismo no mercado financeiro por causa do agravamento da crise na Argentina, o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Cláudio Loser, deu ontem uma demonstração de confiança na política econômica do governo brasileiro e referendou a política cambial adotada pelo Banco Central. Loser afirmou que os fundamentos econômicos do País são fortes para enfrentar a situação argentina, que, segundo ele, vai melhorar sem que seja preciso adotar moratória ou desvalorizar o peso.
Como os integrantes do Fundo são sempre discretos e muito econômicos em comentários, as declarações do diretor do FMI foram vistas como oportunas no momento em que o risco Brasil teve forte elevação e o mercado ainda se mantém turbulento devido às incertezas em relação à economia argentina e seus efeitos sobre a brasileira.
Nas próximas semanas a situação argentina vai melhorar sem default (calote) ou desvalorização, mas com o regime de conversibilidade e uma disciplina fiscal forte, afirmou Loser, que é diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI. Ele veio ao Brasil para participar de uma reunião com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e os técnicos da missão do Fundo que fazem a oitava revisão do acordo em vigor desde dezembro de 1998 e que termina em 1.º de dezembro. A sétima economia do mundo pode resistir à crise argentina, disse ele sobre o Brasil.
O diretor do FMI disse que o Brasil, como membro do fundo, tem todo o direito de pedir a renovação do acordo, mas ressaltou que essa não é uma possibilidade que está sendo considerada agora como variável relevante, porque as políticas do governo e do Banco Central são adequadas. Segundo ele, a experiência do Fundo mostra que os acordos com a instituição são positivos, mas nem sempre são necessários. O Fundo sempre estará pronto para ajudar o Brasil quando precisar, frisou.
Nas últimas semanas, ganharam força no mercado rumores de que o Brasil iria prorrogar o acordo para poder fazer novos desembolsos e se prevenir do risco de default da Argentina. Loser não poupou elogios à equipe econômica e à política cambial adotada pelo Banco Central, que vem recebendo duras críticas dos economistas e dos empresários. A equipe é de alta qualidade. A política cambial é muito transparente em termos de intervenções e a flexibilidade do sistema é ótima. Segundo Loser, os sinais e os anúncios do Banco Central são claros.


