Nova York - O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), Alexandre Schwartsman, se mostrou bastante otimista ontem, durante sua apresentação a analistas financeiros em Wall Street, em relação à retomada da atividade econômica em curso no Brasil. ''Tivemos sinais bastante positivos de atividade tanto no final do ano passado quanto nos primeiros indicadores no início deste ano'', disse Schwartzman à Agência Estado, ao final da apresentação realizada na sede do banco de investimentos Goldman Sachs.
Ele destacou a criação de empregos formais apurada pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. ''A criação de empregos, conforme o Caged, tem mostrado uma evolução importante. Foram 240 mil empregos criados em janeiro e fevereiro'', destacou Schwartsman. Ele também citou os indicadores de produção industrial em janeiro, que segundo ele teve um desempenho bastante razoável. ''As vendas industriais vêm vindo bem e as vendas no varejo vêm mostrando sinais de recuperação'', disse. De acordo com ele, essa série de sinais positivos e consistentes da atividade econômica dão suporte à projeção de crescimento de 3,5% da economia este ano. Segundo um dos participantes da reunião, o diretor do BC foi bastante minucioso ao dar números não somente sobre o nível de atividade econômica, mas também sobre os dados da inflação e do núcleo da inflação.
Ainda segundo essa fonte, Schwartsman falou brevemente sobre o cronograma de financiamento externo no qual o Brasil ainda tem previstos US$ 2,5 bilhões para captar este ano.
Ao ser questionado sobre a ''contaminação'' dos índices ao consumidor pelos preços do atacado, ele disse que o BC ainda não tem uma evidência final sobre a questão. ''Precisaremos ver ainda o IPCA para observar como está esse comportamento, mas ainda não temos a evidência final'', afirmou. O IPCA de março será divulgado hoje.
Schwartsman minimizou o impacto financeiro da alta dos Treasuries norte-americanos, ocorrida na sexta-feira passada por conta da divulgação do relatório de empregos nos Estados Unidos, que mostrou uma criação de 308 mil vagas em março, superando todas as estimativas do mercado. Preferiu destacar o impacto positivo do último relatório de emprego dos EUA para a economia mundial e brasileira. ''O importante é que a economia norte-americana está se recuperando, o que é fundamental para o comércio internacional do Brasil'', disse. ''A gente já vem com um desempenho muito bom do setor exportador. E uma recuperação da economia dos EUA acaba alavancando uma recuperação mundial, o que é favorável para o desempenho exportador do Brasil.'' Treasury é a denominação dos títulos de longo prazo emitidos pelo Tesouro norte-americano, considerados os mais seguros do mundo e, por isso, os mais procurados por investidores que desejam segurança, abrindo mão de rentabilidade mais elevada.
Questionado sobre um virtual impacto negativo da alta dos Treasuries em relação à liquidez para o Brasil, Schwartsman respondeu: ''É pouco claro ainda porque, obviamente, há um aumento no custo básico dos Treasuries. Agora, o nosso custo é Treasury mais spread. E o spread do Brasil pode reagir em direção oposta aos Treasuries, em razão do maior crescimento das exportações e também do investimento direto'', afirmou.

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