Diretor de Itaipu nega risco de apagão
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de janeiro de 2013
Nelson Bortolin<BR>Reportagem Local 
A Itaipu Binacional encerrou 2012 com uma produção de 98.287.128 megawatts-hora (MWh). É um recorde histórico muito próximo da meta de 100 milhões de megawatts-hora (MWh). A vantagem sobre 2008, até então a melhor produção da usina em 28 anos de operação, é de 3,6 milhões de MWh.
Segundo a binacional, só essa diferença equivale à geração anual de uma usina do porte de Três Irmãos, da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) ou a 23% de toda a produção de energia nuclear do Brasil. "Por pouco não atingimos (os 100 milhões de megawatts-hora). Se tivéssemos seis ou sete dias a mais, teríamos chegado", afirma o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek.
Ele diz que são vários os fatores que explicam o crescimento da usina. Um dos principais é o próprio aumento do consumo. De acordo com a Itaipu, o consumo cresceu 3,3% no País no ano passado na comparação com 2011. "O governo federal tem aumentado o número de consumidores com o Programa Luz Para Todos. Desde 2003, foram inseridos 13,4 milhões de pessoas no programa", conta.
A melhora na renda dos brasileiros também tem influenciado muito a demanda por energia. "São milhões de pessoas que sobem na pirâmide social e vão necessitando de refrigeradores, televisões, máquinas de lavar, computadores. Isso tudo contribuiu para que gerássemos mais energia", ressalta.
Outro fator destacado por Samek é o aumento da atividade econômica. Ele diz que, apesar do "Pibinho" - a estimativa é que o Brasil tenha crescido apenas 1,5% no ano passado -, houve aumento de produção em muitos setores, como o automotivo, o que também tem demandado maior consumo de energia.
São Pedro também colaborou. "Em termos de chuvas, nós somos imbatíveis. Estamos numa localização extraordinária", afirma. Ele lembra que o Rio Paraná, onde se localiza a usina, tem importantes afluentes, como os rios Grande, Paranaíba, Tietê, Paranapanema e Iguaçu, recebendo água que vem das regiões Centro-Oeste e Sudeste do País. O reservatório de Itaipu, com 1.350 quilômetros quadrados de área inundada, garante a produção de energia durante todo o ano.
A usina, de acordo com o diretor-geral, também tem como "marca registrada" a manutenção e a modernização dos equipamentos, o que permitiu a expansão da produção muito acima daquela inicialmente projetada: 75 milhões de megawatts-hora (Mwh). A construção de novas usinas rio acima e de novas linhas de transmissão ajudaram nesse aumento. "Acho que poderemos crescer um pouco mais", afirma.
Segundo Samek, o risco de apagão em 2013 é "zero", mesmo que a economia cresça no nível estimado pelo governo, a 4%. "Os investimentos que o governo tem feito em hidrelétricas desde 2004 garantem o abastecimento", avalia. O diretor diz que as usinas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira (Norte), já começam a produzir energia. E os investimentos em outras matrizes, como eólicas e termoelétricas, colaboram para garantir a energia necessária.
"A energia produzida pelos ventos e pelo bagaço da cana são importantes complementos", afirma. Segundo ele, a safra da cana e os bons ventos no Nordeste e no Sul do País chegam no momento em que as chuvas diminuem. "Nos meses em que é possível utilizar a energia produzida por essas matrizes, as hidrelétricas devem ser poupadas e seus reservatórios armazenarem toda a água possível", explica.
Em três anos, segundo Samek, a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, deverá começar a produzir energia o que afastaria o risco de apagão num futuro próximo.


