O diretor de Saúde e Bem-Estar Animal da União Européia (UE), Bernard Van Goethem, visitou ontem a 48 Expo Londrina trazido pelo secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz. Esta semana, ele está no país acompanhado o treinamento de auditores estaduais e federais para a fiscalização do cumprimento dos critérios do sistema de rastreabilidade brasileiro.
''Estou muito bem impressionado'', disse ele após visita aos pavilhões de animais. ''Gosto de feiras pois elas são uma boa oportunidade para ver como se desenvolve uma agricultura e pecuária de qualidade.'' Goethem frisou que a visita ao país não tinha caráter de inspeção, mas sim de cooperação da UE ''para o perfeito entendimento'' das regras e requerimentos de exportação de carne exigidas pela entidade.
O secretário Kroetz disse que a visita do diretor da UE à Expo não foi ocasional. ''Fizemos questão de trazê-lo para ver bons exemplos da qualidade do gado brasileiro''. O diretor da UE, informou o secretário Kroetz, conhecerá ainda fazendas de produção material genético e um banco de dados da Associação Brasileira de Criadores de Zebu.
O treinamento dos técnicos brasileiros ocorre como consequência dos desdobramentos do embargo à carne brasileira, decretado pela UE no final de janeiro. ''No ano passado detectamos deficiências e fragilidade no sistema de movimentação de animais e nos registros que permitem a rastreabilidade do gado'', explicou Goethem.
O diretor da UE disse ainda que toda a cadeia produtiva da carne ''tem coisas a resolver, da fazenda ao prato''. Ele sugeriu uma ação integrada dos serviços de fiscalização brasileiros. ''Na Europa, cinco anos atrás, foram reagrupados todos os setores da cadeia, permitindo o controle da segurança alimentar de forma mais efetiva''.
Bernard Van Goethem, frisou que 95% da carne consumida nos países da UE é produzida lá mesmo. A região ainda exporta carnes de menor valor agregado, por isso, acredita até que haja suficiência produtiva. O total de 5% da importação, segundo ele, é de cortes especiais. Nesse índice, 3% (300 mil toneladas) são oriundas do Brasil, ou seja, nosso país cuida da fatia de 60% do total da carne vendida para a UE.
Atualmente, o Brasil possui 95 propriedades aptas à exportação para o bloco econômico europeu. ''Vamos fazer crescer a lista, mas para isso é preciso mais gente no campo para as auditagens'', justificou o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz.
Os duzentos técnicos que estão sendo treinados terão a missão de capacitar outros auditores em toda a área habilitada para exportação de carne no País. Kroetz explicou que o Ministério da Agricultura reconhece 16 estados mais o Distrito Federal como regiões de produção para a exportação. Pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), entretanto, apenas Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Acre, Rondônia, 46 municípios do centro-sul do Pará e dois municípios do Amazonas estão liberados para a venda ao mercado externo.
A União Européia tem regras próprias. Por elas, os estados brasileiros liberados para a exportação são: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e o Espírito Santo, além de parte do Mato Grosso e Minas Gerais.

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