Genebra O diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Supachai Panitchpakdi, afirmou, ontem, que está disposto a mediar a disputa lançada pelo Brasil contra as políticas agrícolas dos Estados Unidos e da União Européia (UE). ''Estou pronto para atuar em uma mediação. Mas, para isso, os países devem solicitar minha presença no caso'', afirmou Supachai.
Na semana passada, o Brasil recorreu à OMC contra os subsídios dados por Washington aos produtores de algodão e contra a ajuda que Bruxelas dá ao setor açucareiro. Segundo o Itamaraty, as práticas prejudicam as exportações nacionais.
O caso chamou a atenção de muitos países, já que questiona dois dos setores mais sensíveis dos países ricos. Os europeus não escondem que a disputa terá um forte elemento político e que uma resposta será dada contra o comércio brasileiro.
Já os produtores de algodão dos Estados Unidos alegam que, no Brasil, o setor também recebe benefícios do governo, por meio de incentivos fiscais.
Tudo indica que o processo será longo. Bruxelas já deixou claro que prefere negociar uma saída ''pacífica'' para a disputa, possibilidade que não é descartada pelo Brasil.
As regras da OMC reconhecem que, se os países solicitarem, o diretor da entidade pode intervir em uma disputa para que o caso não se arraste por anos, consumindo energia dos negociadores e recursos dos governos.
O problema é que, até hoje, o mecanismo quase nunca foi utilizado, muito menos em casos relevantes como o lançado pelo Brasil.
Segundo diplomatas brasileiros, Supachai não deu qualquer tipo de sinal oficial ao governo de que gostaria de mediar o conflito. Mas especialistas reconhecem que seria um caso ideal para que o diretor inaugure esse novo mecanismo para evitar choques comerciais entre países.

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