O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Mike Moore, defendeu o fim dos subsídios e das barreiras ao comércio de produtos agrícolas no mundo. Segundo ele, se fossem eliminados todos os subsídios no mundo, o valor que seria economizado com isso corresponderia a três vezes toda a ajuda mundial que é canalizada para os países subdesenvolvios. O valor que se gasta com subsídios agrícolas, segundo Moore, também é equivalente a todo o Produto Interno Bruto (PIB) do continente africano.
De acordo com um levantamento feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), somente Estados Unidos e Europa gastam US$ 363 bilhões por ano com subsídios agrícolas. Esses subsídios tornam a produção agrícola desses países artificialmente competitivos. O resulado disso é uma concorrência desleal com a produção agrícola dos países em desenvolvimento.
Moore termina hoje, em São Paulo, uma visita à América Latina, que também incluiu Chile, Argentina, Uruguai e México. O objetivo da visita é pedir apoio para o lançamento de uma nova rodada multilaterial de negociações comerciais e ouvir as expectativas dos países latino-americanos. Ele disse não saber quando uma nova rodada de negociações será lançada. De acordo com Moore, no ano que vem haverá um encontro ministerial ainda a ser marcado.
Por causa da confusão causada pelas Organizações não Governamentais (ONGs) na tentiva do lançamento das negociações em novembro do ano passado, em Seattle, a OMC está com dificuldades para encontrar um novo país que aceite realizar o encontro. Segundo Moore, três países já se oferecem para sediar a rodada. Ele não disse, porém, quais são esses países, mas, de acordo com informações de Genebra, o Chile é um deles.
O lançamento da rodada, em novembro do ano passado em Seattle, malogrou porque não houve acordo em torno da abrangência da pauta de negociações. Os Estados Unidos defendem que os temas agrícolas façam parte da agenda, mas se recusam a discutir legislação antidumping e querem incluir cláusulas ambientais e trabalhistas.
A União Européia resiste em negociar agricultura, mas quer incluir vários outros assuntos novos, como regulamentação de comércio eletrônico, quando nem mesmo os assuntos que ficaram pendendes desde a última rodada, como agricultura e dumping, foram resolvidos. O Brasil, junto com vários países em desenvolvimentos, quer discutir o fim das barreiras e dos subsídios aos produtos agrícolas, a revisão da legislação antidumping, que permite que os Estados Unidos e outros países desenvolvidos imponham barreiras às exportações brasileiras, e teme que as cláusulas ambientais e trabalhistas se transformem em mais uma fonte de barreiras não tarifárias para os países pobres.
Moore disse que a OMC é mal compreendida. Segundo ele, o insitituição não impõe regras, cuida da aplicação das normas mundias que foram aprovadas pelos Estados membros. ‘‘São os governos que mandam na OMC e não o contrário’’. Ele evitou comentar a retaliação do Canadá contra o Brasil, na diputa ente as fabricantes de jatos Embraer e Bombardier. A sanção, de US$ 1
4 bilhão, foi a maior já aprovada na OMC contra um país em desenvolvimento.
Segundo ele, o orgão não beneficia países mais desenvolvidos, mas ajuda os países mais pobres a se defender. ‘‘Se o sistema beneficiasse os países mais ricos, os Estados Unidos não teriam perdido uma disputa comercial para a Costa Rica, como já aconteceu’’, afirmou. Segundo Moore, a OMC é a instituição mais democrática porque todas as decisões acontecem por consenso. ‘‘Isso é a melhor e a pior coisa da OMC, porque nenhum país se sobrepõe ao outro’’, disse.

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