Diretor da OMC alerta para problemas do desenvolvimento
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segunda-feira, 04 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Nova York As negociações comerciais fracassarão, se não tiverem como foco os problemas do desenvolvimento, disse o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o neozelandês Mike Moore, no Fórum Econômico de Davos, em Nova York. Os países pobres, segundo Moore, ganharão com a reforma agrícola oito vezes o que poderiam ganhar com o perdão de sua dívida externa. No entanto, acrescentou, nas manifestações de rua nenhum jovem carrega cartazes com as palavras de ordem reformem a agricultura. É preciso, comentou o diretor-geral da OMC mostrar o lado moral das negociações comerciais e os benefícios que poderão produzir, se forem bem conduzidas. Moore estava certo: a duas quadras de distância do Waldorf Astoria, onde estavam os primeiros e escassos manifestantes contra a globalização e o Fórum Econômico Mundial, nenhum cartaz ou faixa se referia às condições do comércio agrícola.
Na mesma reunião do Fórum em que discursou Moore, agricultura e serviços foram apontados, por mais de cem ministros, empresários, economistas e outros profissionais de grande número de países, como os temas de maior importância para o sucesso das novas negociações. Não haverá acordo final, segundo a maioria dessas pessoas, se não houver a eliminação, mesmo gradual, dos subsídios à exportação agrícola.
O governo brasileiro tem defendido a extinção ou modificação dos subsídios internos, destinados diretamente à sustentação da renda dos agricultores. A política de preços alvo, financiada com recursos públicos, tem contribuído para a superprodução agrícola. Os governos, com políticas desse tipo, complementam os ganhos dos produtores, pagando a diferença entre o valor oficial e o de mercado. O efeito seguinte é a redução dos preços internacionais a que os produtos são efetivamente vendidos.
Agricultura é assunto prioritário para as economias em desenvolvimento, tanto as mais pobres quanto as industrializadas. Abertura do mercado de serviços itens como educação, transportes, informática, finanças, contabilidade, arquitetura, engenharia e telecomunicações interessa principalmente aos países mais desenvolvidos.
As discussões no Fórum Econômico Mundial não têm peso oficial e não produzem consequências obrigatórias, mas indicam tendências e contribuem de modo informal para decisões políticas. Daí a importância da participação de pessoas como Mike Moore, Supachai Panitchpakdi, o tailandês designado para ser seu sucessor a partir de 1º de setembro, e Robert Zoellick, principal negociador comercial dos Estados Unidos.


