Direitos param em campanha salarial
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de setembro de 2001
Carmem Murara<br> De Curitiba 
Os direitos do consumidor pela primeira vez que se tem notícia no Estado foram parar dentro das negociações trabalhistas de uma categoria profissional. O Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana decidiu incluir na lista de reinvindicações aos patrões algumas questões que obrigam as instituições financeiras a respeitar o Código de Defesa do Cliente Bancário, lançado em junho deste ano pelo Banco Central.
Para divulgar as ações que estão fazendo em prol dos consumidores, o Sindicato dos Bancários lançou nesta semana o ''Jornal do Cliente''. O tablóide de quatro páginas traz matérias e artigos que orientam e informam as pessoas a buscar seus direitos junto aos órgãos de defesa do consumidor. Os exemplares estão sendo distribuídos nas agências bancárias e nos órgãos de defesa do consumidor.
Parte do conteúdo do jornal foi elaborado pela Associação de Defesa e Orientação ao Cidadão (Adoc). O presidente da entidade, Fernando Kosteski, acredita que o material poderá estimular as pessoas a exigir seus direitos. ''Os clientes de bancos têm de se acostumar a denunciar os erros para as instituições de defesa do consumidor ou para o Banco Central'', afirma Kosteski. Todo o banco tem de exibir uma placa com o telefone para reclamações ao Banco Central, o 0800-992345.
A intenção do Sindicato dos Bancários é estimular os paranaenses a exigir boa qualidade de serviços bancários, o que, indiretamente, beneficia os funcionários dos bancos. ''Os bancos são obrigados a manter o atendimento pessoal dos caixas. Se o cliente exige isso, teremos pelo menos a manutenção do nosso emprego'', raciocina o presidente do Sindicato dos Bancários, José Daniel de Farias.
Os bancários pedem ainda que o horário de atendimento seja das 9 até 17 horas, ou seja, duas horas a mais em relação ao tempo atual. A mudança forçaria a contratação de um novo turno de trabalho, o que elevaria em 20% a oferta de emprego. Mais tempo para atender os clientes representaria mais respeito a eles, avalia o sindicato.
Outro item que foi proposto pelo Sindicato dos Bancários e que diz respeito a direitos dos consumidores é o tempo de espera na fila não superior a 20 minutos. A Câmara dos Vereadores aprovou a lei na semana passada, faltando agora a sanção do prefeito Cassio Taniguchi. Eles pedem também que os bancos façam mudanças em suas estruturas físicas para atender os deficientes.


