Direção confirma venda do 'Coletão'
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Andrea Vendramini 
A diretoria do supermercado Coletão admitiu ontem que além do grupo português Sonae - que apresentou em janeiro proposta de compra da rede paranaense de supermercados - outros dois grupos internacionais e uma empresa nacional do setor financeiro têm interesse em adquirir a empresa. O diretor presidente do Coletão, Edmundo Coleto, resiste em revelar nomes ou dar qualquer pista de qual seria a proposta mais atraente, neste momento. Ele afirmou que entre as propostas recebidas, há duas que se referem a pedido de associação de empresa. Coleto assegurou, entretanto, que uma decisão será anunciada num prazo de 30 dias.
Coleto disse que a empresa analisa qual é a melhor proposta, sem descartar a possibilidade de manter a atual composição acionária do grupo - 60% das ações pertencem a Edmundo Coleto, e 20% a cada um de seus irmãos - Edmar Coleto e Edgar Coleto. Somos homens de negócios e vamos optar por aquilo que julgarmos melhor para a empresa e para nossos 1,7 mil funcionários, disse ontem em entrevista coletiva, em Curitiba, convocada por causa da declaração do presidente mundial do grupo Sonae, Belmiro de Azevedo, sobre a intenção de comprar a rede Coletão.
O interesse dos cinco grupos não acontece por acaso, assegurou Edmundo Coleto. Mesmo com a instalação de três hipermercados na cidade, as vendas cresceram 15% em 1998, em comparação ao ano anterior, passando de R$ 140 milhões anuais para R$ 160 milhões. Apesar da turbulência do mercado financeiro, a rede espera chegar a R$ 170 milhões neste ano, soma prevista para o ano passado, mas que não foi atingida. Apesar da meta não cumprida, Coleto lembrou que a rede tem um dos maiores faturamentos por metro quadrado de loja do País, com R$ 15,5 mil por metro quadrado a cada ano, quase o dobro da média nacional de R$ 8 mil anuais.
O empresário afirmou que a rede só será vendida se for um ótimo negócio. Nós não estamos negociando em função de crise. Já enfrentamos mais de dez. Somos brasileiros e estamos acostumados, afirmou o diretor presidente da rede Coletão.
Caso não ocorra venda ou associação, a rede Coletão pretende abrir uma loja por ano, concentrando a expansão em Curitiba e Região Metropolitana. A próxima loja será aberta no fim deste ano, no bairro Santa Felicidade. Também não está descartada a possibilidade de compra de redes menores, já que temos potencial para isso, comentou. A rede Coletão, fundada em 1964, conta com 11 mil metros quadrados de loja, distribuídos em oito pontos de venda, sete lojas na capital e uma em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba.


