Dirceu pede juros reais de 6% ao ano
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quarta-feira, 05 de maio de 2004
Rita Tavares<br> Agência Estado 
São Paulo - O ministro da Casa Civil, José Dirceu, fez ontem o mais forte discurso político desde a crise do Caso Waldomiro Diniz. Dirceu criticou o sistema financeiro, pediu a redução da taxa de juros e admitiu a insatisfação do governo inclusive do presidente Lula com a atual situação do País. Ao encerrar um seminário promovido pelo Partido Progressista (PP), que faz parte da base de sustentação do governo no Congresso, Dirceu afirmou que a dívida interna inviabiliza os investimentos produtivos no País.
Segundo ele, quando o governo discute com bancos e investidores o retorno de possíveis investimentos em infra-estrutura, é natural um contraponto com o retorno obtido pelos títulos públicos. ''Esse cálculo independe da ideologia das instituições'', disse Dirceu, ponderando que os bancos têm de responder aos acionistas e os fundos, a seus cotistas. ''Vivemos uma situação esdrúxula. Apesar da demanda por investimentos voltados para a exportação do agronegócio, os investimentos em infra-estrutura, nem públicos nem privados, não acontecem e isso está ligado à questão dos juros.''
O ministro disse que o País precisa reduzir de maneira ''lenta, gradual e segura'' a taxa de juros reais para 6% ao ano. Só assim, segundo ele, o governo teria capacidade de investir em setores em que a iniciativa privada só investe após a presença do Estado. Dirceu fez uma referência explícita aos recursos que são destinados ao serviço da dívida o superávit primário como principal obstáculo para os investimentos públicos e privados. De acordo com ele, o ideal seria que o governo investisse 3% do PIB, ou R$ 45 bilhões, ao ano em obras públicas. Mas, neste ano, esse valor será de apenas R$ 12 bilhões, e R$ 2,9 bilhões vêm do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).


