São Paulo - O ministro José Dirceu (Casa Civil) afirmou ontem que não vê pressão sobre os preços no País que possa ''colocar em risco o controle da inflação'' e defendeu seu direito de discordar do Banco Central (BC) sobre o assunto.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta semana para decidir sobre a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic). Para a maioria dos analistas de mercado, o Copom deve anunciar amanhã um aumento de até 0,5 ponto percentual na taxa de juros, que atualmente está em 16% ao ano.
O BC tem alertado para o risco maior de inflação nas últimas semanas e a elevação dos juros serviria para reduzir as pressões sobre os preços.
Apesar de discordar da análise do BC sobre a inflação, Dirceu sinalizou que não vai bater de frente caso haja aumento de juros. ''O senhor dessa decisão, de certa forma, é o Copom (Comitê de Política Monetária do BC). Então eu tenho que tomar cuidado porque eu sou ministro e devo obediência e disciplina ao presidente Lula. Mas eu sou cidadão, sou parlamentar do meu Estado e tenho responsabilidade no meu partido. Não sou um robô'', disse.
''Mas essa não é a opinião de quem tem o poder de tomar a decisão legal para o país (sobre o juro)'', completou ele, durante o Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. O ministro negou que haja ingerência do governo nas decisões sobre juros, apesar de sinalizar que não acha que essa independência seja positiva. ''O problema é que com a autonomia do Banco Central, a autoridade monetária tem autonomia para exercer seu papel em relação ao juro.''
Para Dirceu, o BC já tem autonomia real. ''Não vejo como o país possa ter dúvida da autonomia do Banco Central. Ela é real, ainda que não seja constitucional.''

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