Brasília O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, telefonou durante o feriado de anteonntem para o comissário europeu para o Comércio, Pascal Lamy. Eles confirmaram a reunião marcada para o dia 20 em Lisboa. Será um último esforço no sentido de destravar as negociações para a formação da área de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia (UE), antes do final do mandato de Lamy, no dia 31. Seu sucessor, o inglês Peter Mandelson, já deixou claro que seu foco será a intensificação das relações com os Estados Unidos. O Mercosul fica em quarto lugar na sua lista de prioridades.
Amorim evitou dar detalhes sobre o que poderá ser discutido em Lisboa. Porém, ele já havia declarado que não seria um encontro para negociações, mas para ver onde seria possível avançar este mês. A tendência, portanto, é que o resultado do encontro seja mais político que econômico. Nos bastidores do governo, já se fala em um ''acordo estratégico'' entre os dois blocos e na idéia de fechar entendimentos apenas nos pontos menos polêmicos.
O ministro proferiu ontem uma palestra na Universidade de Brasília (UnB), como parte das comemorações dos 30 anos do curso de Relações Internacionais cujo programa inicial ele ajudou a formular. Ele disse aos estudantes que o Brasil deu uma freada nas negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) por considerar que o diálogo estava ''desequilibrado''. Não se tratava de um acordo multilateral, explicou, mas de um projeto regional em que há só uma grande potência, os Estados Unidos. E o Brasil, cujo Produto Interno Bruto (PIB) é a décima parte da riqueza nacional dos EUA, não se preparou o suficiente para o acordo. ''Não é uma crítica ao governo anterior, mas o fato é que não se fez o que tinha de ser feito'', disse.
Ele negou que o Brasil tenha dado preferência ao acordo com a União Européia (UE). No entanto, disse, os europeus desde o início concordaram em deixar de fora dos entendimentos os temas que são típicos da Organização Mundial do Comércio (OMC). Isso facilitou o diálogo e a negociação com a UE está mais avançada do que a Alca. No entanto, disse Amorim, Estados Unidos e União Européia representam 46% do comércio brasileiro. ''Há os outros 54%'', lembrou.

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