Genebra Diplomatas do Brasil e da União Européia (UE) se reúnem hoje, em Genebra, para discutir uma solução pacífica para as barreiras que o frango brasileiro sofre para entrar no mercado europeu. O Itamaraty fará perguntas aos representantes de Bruxelas e, a partir das respostas que irá obter, poderá pedir a intervenção da Organização Mundial do Comércio (OMC) para julgar o caso.
O motivo da nova disputa é a quantidade de sal no produto. Bruxelas acusa os exportadores de frango do Brasil de estarem se aproveitando de uma brecha na lei da UE para vender mais para a Europa. A norma da UE prevê que a tarifa para carnes congeladas seja de 70%. Já a tarifa para carnes salgadas, isto é, cujo processo de conserva é o sal e não o congelamento, é de apenas 15,4%.
Os exportadores de frango do Brasil, portanto, teriam adotado uma estratégia de colocar o mínimo exigido de 1,2% de sal na carne de frango. Assim, pagariam apenas a tarifa mais baixa para entrar no mercado europeu e seriam mais competitivos.
Segundo os europeus, o resultado dessa manobra foi o aumento significativo das exportações brasileiras de frango. De fato, os próprios dados do governo apontam que as exportações de frango salgado aumentaram de US$ 117 milhões, em 2000, para US$ 329 milhões, em 2001.
O que os brasileiros questionam, porém, é que diante dos problemas, Bruxelas decidiu elevar a exigência de teor de sal no frango de 1,2% para 1,9% para que a tarifa aplicada seja a de apenas 15,4%. Desta forma, evitariam que o produto brasileiro tivesse a mesma facilidade para entrar no mercado europeu. O Brasil, portanto, questiona a utilização da reclassificação de um produto como uma medida protecionista, o que estaria violando as regras da OMC.

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