Diplomatas acham Londrina estratégica para investimentos
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
Carina Paccola Londrina 
Marcos BorgesProjetos de desenvolvimentoComitiva ouviu exposição do governador sobre o Paraná e do vice-prefeito sobre industrialização de LondrinaO dia chuvoso, ontem, provocou mudança na programação dos embaixadores, cônsules e conselheiros de 18 países que visitaram Londrina. Depois de ouvirem o governador Jaime Lerner e a apresentação do Plano de Desenvolvimento Industrial (PDI) pelo presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Alex Canziani, os visitantes participaram de um almoço na chácara do prefeito Antonio Belinati e de sua esposa, a vice-governadora Emilia Belinati. Foi cancelada a visita a algumas empresas, prevista para a tarde, devido à forte chuva. Por falta de teto no Aeroporto de Londrina, a partida dos embaixadores, marcada para ontem à tarde, foi transferida para hoje pela manhã.
O embaixador da Romênia, Ioan Bar, disse ter ficado impressionado com o desenvolvimento de Londrina, levando-se em conta a idade do Município. Sessenta e três anos é pouco tempo para uma Cidade. Londrina cresceu muito em pouco tempo, afirmou. Ele contou que pôde observar casas de madeira, que marcaram o início da construção da Cidade, e prédios altos, que representam a vida moderna. Com o que nos foi apresentado, Londrina tem boas perspectivas de crescer ainda mais.
Marcos BorgesO prefeito Antonio Belinati em sua chácara com os convidados
Ioan Bar disse que esta foi a segunda vez que veio ao Brasil e já vê perspectiva de cooperação entre os dois países em dois ramos: no ferroviário e no de cimento. Segundo o embaixador, a Romênia produz locomotivas, vagões, dormentes e trilhos, que podem ser fornecidos para o Brasil num desenvolvimento futuro da rede ferroviária.
Há interesse também de a Romênia construir uma fábrica de cimentos no Brasil, afirma. De acordo com Ioan Bar, o governo romeno tem vários projetos de construção de fábricas fora do país, que podem ser casados com projetos do governo do Paraná de construir centros hidroelétricos. Ora, um centro hidroelétrico consome bastante cimento. Podemos trazer tecnologia, fazer parceria com empresa brasileira, já que me informaram que o Paraná tem matéria-prima para o cimento.
Ioan Bar diz que a Romênia ainda vive um período de transição de uma economia fechada para um mercado aberto. Antes do regime comunista, a Romênia foi o maior produtor de petróleo e de trigo da Europa. Agora estamos com uma política bem definida para retornar àquela posição econômica anterior dentro do continente.
O embaixador da Dinamarca Johannes Dahl-Hansen ressaltou que o Paraná é um Estado chave no Brasil dentro do Mercosul. O cônsul geral da Inglaterra, Ian Murray, disse que a posição geográfica de Londrina é bastante estratégica. É uma cidade dinâmica. Aqui há possibilidades de investimentos. Devo apresentar as informações que recebi aos ingleses. Vou acompanhá-los para uma visita à Cidade. O cônsul fez uma brincadeira sobre a chuva: Estou me sentindo em casa. Esse tempo lembra Londres.
Da Bulgária - País com indústria e agroindústria fortes, mas sem recursos minerais - o embaixador Tchavdar Nikolov afirma que Londrina lhe pareceu um excelente lugar para investimentos estrangeiros. Nosso trabalho é informar o que vimos aqui para que surjam possibilidades concretas de investimentos.
O representante diplomático da União Européia, o francês Bruno Dethomas, disse que a UE tem muitos programas de aproximação de empresários europeus com o Brasil, que financiam estudos preliminares para formação de joint venture. A vinda para cá pode facilitar a busca de pequenos e médios empresários interessados em fazer parceria com o Brasil.
Para o vice-prefeito e presidente da Codel, Alex Canziani, os visitantes vão levar uma boa imagem de Londrina. Foi plantada uma boa semente, que vai gerar bons frutos. Canziani afirma que os embaixadores e cônsules nunca tinham ouvido falar de Londrina. Agora a Cidade entra no mapa do mundo e, com certeza, as comitivas de empresários que se limitavam a visitar Brasília e São Paulo agora vão receber informações de Londrina. Segundo Canziani, a Codel dará continuidade ao trabalho levando mais informações para as embaixadas e convite para que os empresários desses países venham à Cidade.


