Diplomacia brasileira falhou, diz analista
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de fevereiro de 2001
Oswaldo Petrin De Londrdina 
O Brasil entregou bisonhamente o ouro para o bandido, quando o jogo já estava quase ganho. Mas não seria mal se se tratasse de uma competição esportiva. Ocorre que os prejuízos são de milhões de dólares/ano.
O analista de mercado José Vicente Ferraz estava indignado ontem. No início da tarde ele previu a suspensão das exportações também por parte dos Estados Unidos, o que foi confirmado. Este sim preocupa, pelo peso econômico das exportações de dianteiros para a indústria norte-americana .
O Canadá tem uma importação desprezível. A questão é a repercussão política, a imagem do produto brasileiro e as consequências das desinformações que a diplomacia brasileira e o Ministério da Agricultura não contestam. Atrás dos EUA vem o México - que importa uma ninharia. Mas é iminente idêntica medida pelo Reino Unido e Holanda.
Até reverter essa situação, o prejuízo é grande. Os Estados Unidos representam cerca de 10% de toda exportação brasileira. Basta lembrar números recentes das exportações que somadas passam de US$ 805 milhões.
Tudo isso porque o Brasil é frouxo para negociar, segundo José Vicente Ferraz, entrevistado ontem por este jornal sobre as medidas adotadas pelo Canadá e EUA. O Brasil tem boa mercadoria, bom controle sanitário, mas tem uma diplomacia punho de renda para usar a definição de agentes do mercado, preocupados com as consequências.
O Brasil Não soube jogar duro quando poderia ter jogado duro. E ainda foi incompetente por não ter respondido a tempo o questionário da União Européia. Segundo Ferraz foi nesta falha que o Canadá se apegou para suspender as importações de carne do Brasil.
Para Ferraz, País deveria adotar medidas de retaliação contra o Canadá que tem interesses comerciais no Brasil. Oportunidades é que não faltam. Mas a diplomacia e os negociadores brasileiros são fracos.


