O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, disse ontem que pediu ao Banco Central um levantamento detalhado da liberação de recursos do crédito rural pelo Banco do Brasil e pelos bancos privados para saber se o dinheiro está efetivamente sendo emprestado aos produtores. Porto afirmou que o governo tem o compromisso de fazer o dinheiro chegar às mãos dos agricultores, lembrando que este é o momento ideal para o plantio da safra. Segundo ele, a burocracia bancária não deve atrapalhar o andamento normal da safra, como geralmente acontece.
Arlindo Porto informou também que o Ministério da Fazenda deverá buscar alternativas para antecipar a liberação de recursos controlados pelo Banco do Brasil para que o fluxo dos financiamentos com juros de 9,5% ao ano seja retomado ainda em setembro. Do total de R$ 8,5 bilhões destinado pelo governo ao custeio da safra, pouco mais de R$ 5 bilhões são de recursos equalizados, ou seja, o Tesouro cobre a diferença entre o custo do dinheiro no mercado e o de empréstimo aos produtores com juros subsidiados, de 9,5% para médios e grandes produtores e de 6,5% para a chamada agricultura familiar.
O ministro chegou ontem pela manhã de Genebra e participou da reunião do grupo de coordenação de Política Agrícola, que reúne representantes dos ministérios da Agricultura, da Fazenda, do Planejamento, do Banco Central e do Banco do Brasil, onde o principal assunto foi a reclamação de produtores, entidades de classe e parlamentares, com a falta de dinheiro para a safra agrícola nos bancos.
Máquinas Arlindo Porto citou os números de crescimento das vendas de máquinas agrícolas (62%), de fertilizantes (22%) e de defensivos (24%) de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, para avaliar que está havendo uma maior procura por recursos do crédito rural neste ano. ‘‘Isto é bom, pois a expectativa é de maior produtividade’’, afirmou.
O ministro explicou que a falta de dinheiro no Banco do Brasil para financiamentos com recursos controlados e juros de 9,5% ao ano para médios e grandes produtores decorre da falta de recursos das exigibilidades (parcela de 25% dos depósitos a vista que deve ser aplicada no crédito rural) em razão de uma série de outros benefícios dados ao setor agrícola, como a securitização dos débitos e Empréstimos do Governo Federal (EGF) especiais, entre outros. ‘‘Os financiamentos feitos com a chamada bolha da CPMF também começarão a vencer em setembro, quando uma parte dos recursos emprestados deverá voltar ao banco para novas operações’’, explicou.

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