Dinheiro para crédito continua curto
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terça-feira, 26 de agosto de 2003
Agência Estado 
Brasília O estímulo dado pelo governo para retomada do mercado de crédito, com o anúncio do pacote do microcrédito, redução da Selic e liberação de R$ 8 bilhões dos bancos retidos como depósitos compulsórios no Banco Central (BC), ainda não foi suficiente para sensibilizar o sistema financeiro privado a ampliar a concessão de financiamento. Quem tem sustentado o estoque de crédito é o próprio governo por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em julho, o pífio crescimento de 0,3% no volume de financiamentos só ocorreu por causa da liberação de R$ 3,2 bilhões do banco federal para empresas públicas de energia. Não fosse isso, haveria um encolhimento no estoque de empréstimos isso apesar do corte na taxa de juros efetuado pelo BC desde junho já começar a surtir pequeno efeito nos valores cobrados pelos bancos dos seus clientes.
''Movimento de recuperação do crédito ainda não se iniciou porque as taxas ainda estão elevadas e não há demanda'', admitiu o chefe do Departamento Econômico do BC (Depec), Altamir Lopes. ''A despeito das reduções consecutivas nos juros, os agentes ainda estão cautelosos'', afirmou, justificando a queda de 0,8% verificada no estoque de operações de crédito com recursos livres no mês passado. Essa retração foi puxada pela diminuição no volume de financiamento para empresas. Em julho houve um recuo de 1,9% nesse segmento. Somando as operações com recursos livres e os direcionados para áreas específicas como habitação, agricultura e as linhas do BNDES, o volume de crédito no País somava R$ 382,567 bilhões em julho.
Segundo Lopes, no entanto, os índices de confiança do consumidor apurados pelo comércio em agosto já dão sinais de que será possível uma recuperação do crédito nos próximos meses. ''Isso será refletido em mais consumo'', diz. Na sua avaliação, a queda nos juros irá se somar às demais medidas, como redução nos compulsórios, contribuindo para uma melhora do mercado no final do ano.
''Mesmo com a crise que passamos não há elevação no nível de inadimplência. Isso abre boa perspectiva para retomada do crédito'', argumenta, referindo-se à taxa de inadimplência de 15%, mesmo valor verificado no início do ano passado.
Nos últimos oito anos, o estoque de crédito encolheu de 35% para 25% do Produto Interno Bruto (PIB), uma diferença equivalente a cerca de R$ 150 bilhões, segundo o BC. Em países desenvolvidos, como Estados Unidos e Alemanha, essa relação do volume de crédito com PIB ultrapassa os 120%. Com um estoque tão baixo, a situação brasileira só não é pior do que a verificada em economias emergentes como Argentina e Indonésia.
Em julho, houve queda no spread do crédito pessoal, no cheque especial e no financiamento de veículos. Com isso, a taxa média de juros passou para 91,7% ao ano no crédito pessoal, 173,9% no cheque especial e 42,9% na compra de veículos.


