Curitiba - ''Quem fica rico não é quem ganha mais, mas quem gasta menos'', diz o casal Lia e Lauro Linhares. É com muita conversa e pulso firme que ensinam os meninos a lidar com o dinheiro. A educação financeira começa com a entrega das mesadas de R$ 60 para o filho Lucas, de 10 anos e R$ 40 para o caçula Leo, de 6.
Pode parecer controverso, mas o casal avalia que o Shopping Center pode ser um bom ambiente para observar as intenções de gastos de cada filho, e ao mesmo tempo instrui-los para um bom comportamento. ''Eles querem tudo quando estão no shopping. Na saída do cinema corriam para o fliperama. Foi preciso mostrar o quanto já havíamos gasto para entenderem que fazer tudo não cabe no orçamento'', diz Lia.
''Eu queria um trenzinho na loja de brinquedo. Minha mãe disse que era para eu comprar com as mesadas que eu estava guardando. Vi que o preço era alto e não valia a pena. Era muito dinheiro'', conta o caçula.
Já Lucas sonhava há tempos com um I-pod. Ao invés de pedir de presente para os pais tratou de guardar as notas numa carteira. Ele se diz feliz consigo mesmo e compartilha que valeu a pena esperar oito meses economizando. Assume que curte o I-pod sem culpa e, embora não tenha pensado em um novo objetivo para as mesadas, a sua carteira já volta a crescer. ''Hoje eles têm R$ 60, R$ 40 para administrar, mas amanhã vão ter mais e será imprescindível a noção do valor das coisas. A questão é, vale a pena pagar?'', questiona Lia.
Segundo a coordenadora do departamento de finanças pessoais da Universidade Federal do Paraná, Ana Paula Mussi Cherobim, a educação financeira infantil merece uma abordagem sobre a compra por impulso e prudência para enfrentar as tentações de consumo. ''O exemplo dos pais e o limite que estabelecem serão decisivos para a formação de bons consumidores. Não adianta a mãe dizer não para o filho que pediu um supérfluo no mercado e levar vasinhos de plantas para a casa. É incoerente e um pouco cruel.'' diz a especialista.
Nesse aspecto, a coordenadora da UFPR sugere que os pais revejam o padrão de consumo oferecido às crianças. ''Já pensou se o seu filho não tiver condições de manter o mesmo padrão que você oferece a ele? Os presentes caros vão se tornar um castigo no futuro'', preconiza.
A pedagoga Arleandra Cristina Talin do Amaral também procurou vivencar com sua turma da educação infantil da rede municipal de Curitiba experiências cotidianas envolvendo o trato com o dinheiro. Em sala de aula recriou idas ao supermercado e mostrou quanto custa os itens de consumo caseiro como o sabão, o chocolate em pó e o pão que os pais têm que comprar. O propósito das atividades foi preparar as crianças para situações que irão enfrentar no futuro e torná-las conscientes sobre o necessário e o supérfluo. ''Eles aprenderam que os pais trabalham em troca de um salário e não dá para ter tudo que querem, o dinheiro já está comprometido com despesas importantes'', explica. A pedagoga sugeriu que cada aluno colaborasse com R$ 0,10 para uma poupança coletiva. Depois de seis meses o valor arrecadado financiou sorvete pra todo mundo.




‘Gas­tou, não vol­ta ­mais pra sua ­mão’


Aprender a poupar é justamente uma das propostas do autor Reinaldo Domingos, em seu áudio-livro ''O Menino do Dinheiro'', editora Nossa Cultura (Preço médio R$ 29). Reinaldo é educador financeiro e também fundador do Instituto de Educação financeira DISOP que dissemina em escolas e empresas a importância da educação financeira para crianças. Seu áudio-livro possui uma narrativa voltada para o público infantil e ensina de forma lúdica que o dinheiro é uma moeda de troca e precisa ser respeitado. ''Gastou, não volta mais pra sua mão'' diz.
Reinaldo recomenda estabelcer um objetivo para o dinheiro, como fez Lucas com o I-pod. Aponta inclusive para uma consideração sobre o tempo que leva para economizar e defende que o dinheiro tem que estar a serviço dos sonhos.
O CD áudio é dedicado para crianças de todas as idades, não precisa sequer estar alfabetizado, já que basta ouvir. No site www.omeninododinheiro.com.br o autor disponibiliza um jogo virtual voltado para as crianças entenderem o valor do dinheiro.
Outra opção interessante para a educação financeira dos pequenos é o game Supermercado. O joguinho cria um ambiente virtual para as crianças conhecerem o que precisa ser levado em conta na hora de percorrer as gôndolas do mercado, como lista de compras, prazos de validade dos produtos, quantidade, verificação do troco e valor de cada item. O game é disponibilizado pela Positivo Informática e pode ser adquirido em lojas especializadas, revendas de informática, livrarias, lojas de discos, supermercados ou pelo site www.positivodireto.com.br. (Preço médio: R$ 51,90). (A.F.)

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