Dinheiro está empoçado nos bancos
O presidente eleito da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Horacio Lafer Piva, diz estar preocupado com a inexistência da oferta de crédito, que poderá acabar resultando em uma recessão brutal na economia. Desde o início da semana passada, bancos e financeiras vinham apertando o freio das operações de crédito para empresas.
Depois da alta dos juros promovida no final da noite da quinta-feira (a Tban passou de 29,75% para 49,75%), as instituições decidiram travar as quatro rodas do crédito na sexta-feira. A freada foi engrossada até mesmo pelos bancos públicos federais.
Dizendo compreender a reação dos bancos, assustados com o grau de inadimplência e com o aumento dos riscos, Piva afirmou que eles precisam entender também que, num momento como o atual, com as empresas endividadas, isso (o freio no crédito) pode levar a um aumento do risco dos próprios bancos. Para ele, a crise no mercado de crédito não é um problema resultante do aperto da liquidez (falta de dinheiro). O dinheiro existe. Só que ele está todo empoçado nos bancos.
O presidente da Fiesp qualifica a atual crise global, muito mais profunda do que uma crise de países emergentes (já que atingiu até os EUA), como um jogo de perde e perde e diz que hoje ninguém, nem as empresas nem os bancos, está no paraíso (numa referência ao ditado popular de que o Brasil era o paraíso dos especuladores e dos banqueiros).
Para ele, o impacto efetivo da alta das taxas de juros no fluxo de saídas de recursos do País (as reservas internacionais já emagreceram cerca de US$ 23 bilhões desde o início da crise) só será sentido na segunda e terça-feira. Na segunda, estará aberta a temporada de caça e vamos ver, de fato, quem é a caça e quem é o caçador. Depois de considerar que ninguém sabe o resultado final dessa crise - quem disser que sabe está mentindo -, Piva afirmou que, hoje, o problema é menos de preço e mais de confiança.





