Uma campanha visando pressionar o governo federal a liberar os recursos que o Paraná precisa – e tem direito – para recuperação da lavoura cafeeira. É o que propõe o diretor-técnico da Associação de Cafeicultores de Grandes Rios, no Vale do Ivaí, engenheiro agrônomo Nelson Menoli Sobrinho.
Um lobby dos políticos de Minas Gerais está levando os recursos para aquele Estado, denuncia Menoli. Ele compara a eficiência da agricultura paranaense com os demais estados produtores, desmistifica a questão climática e mostra que os paranaenses estão produzindo qualidade. Os paranaenses praticam uma lavoura econômica e tecnicamente eficiênte, esclarece.
‘‘Logo agora que o Paraná ganha espaço e se destaca em relação às demais regiões produtoras, vem o Ministério da Agricultura dizer que não disponibilizará recursos do Funcafé para auxiliar o processo de revigoramento das lavouras que sofreram com as geadas’’, lamenta Menoli.
Sobre os problemas com a retenção (acordo com APPC), o agrônomo lembrou que quando o senador José Eduardo de Andrade Vieria foi ministro da Indústria e do Comércio, ele revertou um quadro adverso, de preços baixos, em menos de três meses. ‘‘Mas aí houve competência e determinação de um ministro paranaense. É por isso que o setor vive recordando aqueles bons momentos de 1994’’, disse.
Depois de apresentar dados mostrando a eficiência do Paraná na produção de café, Menoli observa que os recursos do Fundo de Desenvolvimento à Cafeicultura foram formados a partir do Confisco Cambial nas décadas de 60, 70 e 80, quando o Paraná era responsável por mais de 50% da produção brasileira. ‘‘Portanto, é dinheiro paranaense’’, observa Menoli.
Sem representação política, o Paraná tem sido prejudicado pelas políticas cafeeiras que nunca beneficiam o Estado a longo prazo. Segundo Menoli, o Estado tem condições de produzir café a custo inferior a US$ 45,00/saca beneficiada, o que não se consegue em nenhuma outra região do País, fazendo com que ainda tenhamos café para consumo interno e exportação quando os outros estados deixarem de produzir quando os preços estiverem baixos – inferior ao custo de produção. O Paraná evita que o País perca espaço no mercado externo.
Menoli lembra também que a cafeicultura daqui é feita por pequenos agricultores, o que é bem visto por países ricos porque esses produtores têm mais condições de mudar o sistema de produção: podem, por exemplo, produzir um café sem agrotóxicos ou café orgânico. A cafeicultura do Paraná entra como uma alternativa de diversificação.
Sobre riscos de geadas, Menoli pergunta se nas outras regiões não há risco, acrescentando. ‘‘Não seria arriscado a monoculura do café em regiões de grande possibilidade de estiagem?’’. Sobre irrigação das lavouras cafeeiras, o técnico questiona os custos econômicos e ambientais.
O técnico também relata a participação dos produtores nos programas de qualidade. Cada região está definindo um tipo de café que terá marca e caracteriística próprias. São cerca de 30 associações. A de Grandes Rios é pioneira e recebe visitas de produtores de outras regiões interessados em fazer qualidade, conta Menoli. Ele cita também os Ferroni, de Ribeirão Claro, cujo café foi destaque em evento promovido pela Associação Americana de Café, em São Francisco, Califórina.

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