Em princípio, tudo caminha no sentido de um anúncio, esta semana, do novo acordo entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional. Tão logo o Senado pleno aprove o nome do economista Armínio Fraga Neto para a presidência do Banco Central e ele tome posse do cargo, deverá chegar ao FMI uma nova carta de intenção brasileira, com as assinaturas do ministro Pedro Malan e do novo presidente do BC, que é governador substituto do Brasil na organização internacional.
Sexta-feira é o dia mais provável para o envio da nova carta, segundo fontes oficiais. Malan já prepara um novo e árduo ‘‘road show’’ aos centros financeiros internacionais, para vender o novo programa aos investidores privados, cujo retorno ao País continua a ser crucial para a estabilização da economia. O diretor-geral do FMI, Michel Camdessus, confirmou que o acordo está praticamente fechado e deu o início ao que, ele, o departamento do Tesouro dos Estados Unidos e, principalmente, as autoridades brasileiras, esperam que se transforme num coro de notícias positivas sobre o País - que é essencial à reconquista da credibilidade e o retorno dos investidores.
Mas o acordo com o FMI ainda não está garantido e pode não sair do papel se surgirem dúvidas sobre a capacidade política e determinação do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso de executá-lo. Ao contrário do que ocorreu no acordo anterior, desta vez a diretoria-executiva do FMI só se pronunciará depois que o governo aprovar e efetivar as medidas fiscais - inclusive aquelas destinadas a compensar o déficit fiscal adicional gerado pela desvalorização do real. ‘‘A bola, neste momento, está com o Brasil’’, disse uma fonte do FMI, antes do discurso de Camdessus, indicando que as negociações já foram completadas em todos os aspectos importantes e cabe agora ao governo dar uma resposta final ao Fundo.Arquivo FolhaVontade políticaMichel Camdessus diz que novo acordo está praticamente fechado: falta o Brasil fazer sua partePaulo Sotero
Agência Estado

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