Brasília - Os recursos liberados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no ano passado ajudaram o Brasil a fechar as contas externas com superávit. Segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central, o balanço de pagamentos (conta que mostra todas as transações do país com o exterior) foi superavitário em 2002 em US$ 302 milhões, contra um superávit de US$ 3,307 bilhões obtido em 2001.
  Isso significa que o país recebeu mais do que enviou recursos ao exterior, no ano de 2002. O balanço de pagamentos é formado pela conta de transações correntes (que reflete o resultado da balança comercial mais os serviços contratados e prestados ao exterior, as transferências de rendas e transferências unilaterais) mais a conta capital e financeira (que reflete operações de empréstimos e investimentos feitos no país).
  A conta de transações correntes fechou 2002 com um déficit de US$ 7,758 bilhões (1,67% do PIB), contra um déficit em conta corrente de US$ 23,212 bilhões de 2001. Houve, portanto, um ajuste de US$ 15 bilhões na conta corrente, influenciado pelo bom resultado da balança que, no ano, registrou um superávit de US$ 13,120 bilhões. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, esse é o melhor resultado de conta corrente desde 1994, quando o déficit foi de US$ 1,811 bilhão.
  A conta capital e financeira teve um superávit de US$ 12,003 bilhões em 2002, dos quais US$ 11,480 bilhões foram recursos recebidos do FMI. Em 2001, a conta capital e financeira registrou superávit de US$ 27,925 bilhões, com US$ 6,639 bilhões de recursos do FMI. Se o dinheiro do FMI fosse excluído da conta, o país teria fechado o ano de 2002 com um déficit no balanço de pagamentos de US$ 11,178 bilhões.
  Além de o balanço de pagamentos representar a soma das duas contas (transações correntes mais conta capital e financeira), o BC desconta um ajuste chamado ‘‘erros e omissões’, que em 2002 totalizou US$ 3,944 bilhões.

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