Brasília - A indústria começa a se recuperar, sobretudo os setores de bens de consumo não-duráveis, em grande parte devido ao dinheiro injetado na economia por conta da correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), segundo o diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn.
Goldfajn ressaltou, no entanto, que não ''há nenhum 'boom' (no lado da demanda)'' e que ''não estamos num mundo de excesso de compras''.
O diretor do BC não quis fazer associações entre a demanda e a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), tomada na semana passada, de elevar os juros básicos da economia de 21% ao ano para 22%.
Até o dia 15 deste mês, de acordo com a Caixa Econômica Federal (Caixa), o governo havia pago R$ 6,6 bilhões a trabalhadores com direito à reposição das perdas provocadas pelos planos econômicos Verão e Collor 1.
Segundo Goldfajn, parcela significativa da correção do FGTS foi sacada por pessoas de renda mais baixa, que costumam gastar quando têm dinheiro nas mãos.
''Já estamos vendo isso, eles (as pessoas de renda mais baixa) estão consumindo mais. Estamos vendo que a venda de bens de consumo não-duráveis (como alimentos e produtos de baixo valor unitário) tem crescido. Os estoques têm caído, o que tem levado a indústria a consumir (encomendar) mais'', disse o diretor do BC.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o emprego na indústria teve pequena recuperação em setembro, depois de três meses consecutivos de queda. Houve um aumento de 1,3% no número de postos de trabalho em relação a agosto.
Juros e Copom - Goldfajn argumentou que os motivos que levaram o BC a apertar ainda mais a política monetária serão conhecidos na amanhã, com a divulgação da ata da reunião do Copom.
Mas, se a demanda ainda está fraca, por que então o BC aumentou os juros? A análise de Goldfajn sobre o nível da atividade econômica reforça a tese, defendida por muitos economistas, de que a decisão do Copom não foi para tentar frear a elevação de preços, mas sim para reduzir as expectativas inflacionárias.
No levantamento feito pelo BC com bancos divulgado na segunda semana deste mês, a média das expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2002 ficou em 8,76%. Para 2003, foi de 9%.

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