Dinheiro de plástico supera o de papel
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terça-feira, 18 de novembro de 2008
Edson Pereira Filho<br> Reportagem Local 
O momento difícil da economia mundial parece não fazer a menor diferença para quem tem hábito de consumir com cartão de crédito no Brasil. Se em 2007 o dinheiro de plástico atingiu a cifra de R$ 183,2 bilhões, este número será superado em R$ 223,7 bilhões até o final do ano, segundo cálculos da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs). Os estados do Sul cresceram 21,8% no faturamento com cartões em outubro deste ano, mais do que a média nacional, que registrou 21,3%.
Um estudo recente feito pelo Banco Itaú, conhecido por Setor de Cartões: Crescimento em Tempo Crise, aponta diversos motivos para este crescimento. A troca da folha de cheque pelo dinheiro de plástico é um dos motivos. Numa série histórica de 15 anos, dados do Banco Central e da Abecs concluem que neste ano o número de transações com cartões será da ordem de 2,8 bilhões, o dobro dos negócios com cheques.
A pesquisa do banco aponta que o brasileiro passou a ter o hábito no uso do cartão, especialmente depois da adoção no comércio em geral. Houve também a ampliação no número de estabelecimentos credenciados em todo país, que passaram a adotar o cartão nas vendas de produtos. Nos últimos 11 anos, segundo o Itaú, o setor saiu de 300 mil estabelecimentos para 1,40 milhão em 2008.
Embora clientes prefiram o cartão de crédito, logistas gostam de cheque e dinheiro. A alegação dos comerciantes é o desembolso para a operadora de 3% a 5% para cada transação feita pelo consumidor, além do pagamento de taxas de administração. Os logistas argumentam que os descontos nas compras poderiam ser maiores, caso os clientes utilizassem cheque ou dinheiro. O Procon classifica a medida do comércio como discriminatória, pois cheque, dinheiro e cartões de créditos devem ter o mesmo tratamento.
O faturamento da indústria de cartões aumentou 21,3% no mês de outubro, comparado ao mesmo período do ano passado e atingindo R$ 19,8 bilhões. Em novembro, esse faturamento deve chegar a R$ 20,3 bilhões, o que representará expansão de 21,9% em relação ao mesmo mês de 2007. Em novembro, a indústria deve contar com 108,9 milhões de cartões circulando no Brasil, quantidade 18,8% superior ao mesmo período de 2007.
O diretor de Marketing do Banco Itaú, Fernando Chacon, avalia que o consumidor está confiante na economia brasileira, mesmo com o desaquecimento da economia global. ''O setor de cartões de crédito é beneficiário direto deste cenário, tanto pela manutenção do consumo da população quanto pela evolução das emissões de novos plásticos'' afirmou Chacon. Da população economicamente ativa apontada pelo IBGE, cada brasileiro possuía em média 1,2 cartão em 2007. Este mercado, segundo o diretor, tem muito a crescer se comparado ao EUA, onde cada cidadão americano possuía em média 4,2 cartões em 2006.
Inadimplência
A Abecs informou que este ano a inadimplência para quem utiliza o dinheiro de plástico estabilizou em 9%. Os atrasos nas parcelas superiores há 90 dias no cartão, contabilizaram no mês de agosto deste ano 9,1% de inadimplentes. Em agosto, pela primeira vez o saldo total de crédito em aberto no setor de cartões ultrapassou a barreira dos R$ 60 bilhões.


