Agência Estado
De São Paulo
A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (Abcf) demonstrou que o dinheiro de plástico que deverá circular no Brasil em abril, por volta da data comemorativa do Descobrimento do Brasil, poderá facilmente ser falsificado. O Banco Central (BC) do Brasil fechou contrato com a Securency, joint venture entre o BC da Austrália e empresa da Bélgica, para o fornecimento de matérias-primas destinadas à confecção de 250 milhões de cédulas.
A perita Itsuko Hida realizou testes com o dinheiro de plástico que circula na Austrália e na Tailândia e constatou a ausência de diversos mecanismos de segurança, como marca d’água, fio plástico, filetes coloridos e fibras ópticas, hoje incorporados ao dinheiro de papel. O BC argumentou que o dinheiro de plástico brasileiro terá mais instrumentos de segurança que o tradicional dinheiro de papel. Além disso, o BC explicou que o dinheiro novo será usado apenas para a comemoração dos 500 anos do Descobrimento.
Segundo o diretor da Abcf, Fernando Ramazzini, à medida que a situação econômica aperta o País sofre mais com a falsificação de moeda. ‘‘Pelo menos 20% de cada lote de 1 bilhão de cédulas em circulação no Brasil hoje são falsificados’’, afirmou. ‘‘Nosso receio com o novo dinheiro é que aumente o volume de falsificação.’’
A Abcf mostrou cédulas de plástico falsificadas, utilizando com base a cédula comemorativa que está ilustrada no site do BC, feita numa gráfica na capital. Para fazer o dinheiro, a gráfica utilizou um scanner, polipropileno biorientado (plástico) comprado em papelaria, e imprimiu pelo sistema off-set. ‘‘Temos 10 mil gráficas em São Paulo com capacidade para falsificar o dinheiro de plástico’’, disse Ramazzini.

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