Dinheiro de custeio só pagando dívida anterior
Vânia Casado
De Curitiba
A superintendência do Banco do Brasil no Paraná prevê aplicar em torno de R$ 800 milhões no custeio da safra agrícola 99/00, que corresponde a um aumento entre 5% e 10% sobre o total aplicado no custeio da safra passada. Esses recursos já constam do orçamento autorizado para as agências distribuídas em todo o Estado, que têm programação de aplicação até o mês de dezembro. A liberação desses recursos, no entanto, está condicionada ao pagamento de débitos da safra de inverno e da safra de verão anterior que os produtores ainda têm com o banco.
O gerente de negócios rurais do BB, João José Aguiar calcula que pelo menos R$ 620 milhões ainda estão nas mãos dos produtores e que, segundo ele, precisam retornar ao banco para serem emprestados novamente. Segundo Aguiar, as entidades parceiras do BB como Faep e Fetaep, estão se articulando junto à bancada federal e ao governo federal, na tentativa de liberar recursos novos para o custeio da safra. Mas se isso não ocorrer o BB vai operar com os recursos disponíveis.
O dinheiro emprestado está retornando de forma parcelada para o Banco do Brasil. Em julho foram pagos em torno de R$ 70 milhões e para agosto o banco espera o pagamento entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões, que também serão convertidos em crédito de custeio para a nova safra. Para isso, o BB está aguardando a portaria de equalização dos juros, através da qual o Tesouro da União paga a defasagem entre a captação do dinheiro e o empréstimo ao crédito rural, abaixo do custo. Os juros estabelecidos no crédito rural são de 8,75% ao ano, nas linhas normais e de 5,75% ao ano, nas linhas de financiamento à agricultura familiar.
Aguiar explicou que os recursos já estão previamente distribuídos entre as agências e cada uma delas já sabe quanto pode aplicar até o final do ano. Mas se alguma região ou município deixa de pagar os débitos das safras anteriores, a agência terá menos recursos para emprestar, explicou. Ele não acredita em elevação na inadimplência, salientando que o índice no Paraná é inferior a 1%.
Com essa nova modalidade de distribuição implantada esse ano, os recursos são canalizados direto para as agências que poderão admistrar melhor as aplicações. Cada gerente vai administrar os recursos de sua agência nos mesmos moldes de um orçamento doméstico, destacou Aguiar. Para isso, o gerente terá que analisar cuidadosamente a ficha cadastral dos clientes e priorizar o atendimento para os clientes preferenciais, cujos débitos estejam quitados.





