O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, afirmou ontem que os R$ 72,5 milhões obtidos com o leilão de 19 bilhões de ações preferenciais (sem direito a voto) da Copel serão destinados para o financiamento de obras e para garantir a contrapartida de empréstimos internacionais. Ele negou que parte do dinheiro será usada para pagar o 13º salário dos funcionários, procedimento que colocaria o governo em desacordo com a Lei que regulamentou a venda das ações da Copel. A operação ocorreu na Bolsa de Valores de São Paulo nesta segunda-feira, em uma operação que permitirá ao governo fazer o resgate de todos os papéis até 19 de abril.
Os programas que terão a contrapartida serão o Paraná 12 Meses, que prevê obras de infra-estrutura para os municípios; o Paranasan, que investe recursos em projetos ambientais; e o Proem, que financia programas para melhorar o ensino médio. Gionédis não especificou quanto irá para cada programa do governo. O dinheiro das ações chegará às mãos do governo até amanhã, quando termina o prazo para os investidores pagarem as ações que compraram.
Os deputados da oposição voltaram a criticar a venda ontem, ao dizer que indiretamente o governo usa o dinheiro da Copel para cobrir a folha de pagamento. Segundo a oposição, o governo usa o dinheiro do Tesouro, que deveria ser colocado nas obras e contrapartida de empréstimos, para pagar os servidores.
As ações colocadas anteontem na Bovespa eram da Paraná Investimentos - empresa criada pelo governo para ser acionista da Copel. O diretor da Paraná Investimentos, Nelson Guimarães, ressaltou que a comercialização das ações foi feita com a possibilidade de resgate a curto prazo por causa da crise financeira nacional e internacional. ‘‘Esta alternativa foi adotada em fase da situação do mercado financeiro mundial. O objetivo foi atingido, pois o Estado conseguiu viabilizar o recurso sem se desfazer do patrimônio’’, afirmou.
Guimarães assegurou que as 19 bilhões de ações leiloadas vão ser resgatadas em abril. ‘‘Seria insano e absurdo pensar em fazer este tipo de operação sem que se pudesse resgatar depois’’, afirmou. Os compradores dos papéis, entre eles o Banco Bozano Simonsen e a Graphus, pagaram R$ 3,83 pelo lote de mil ações e vão receber R$ 4,48 quando a Paraná Investimentos fizer a recompra, garantindo assim a rentabilidade para os investidores.
O secretário da Fazenda também descartou a possibilidade de não se resgatar as ações. Ele disse que os papéis que venceram em agosto e foram renegociados para o final do ano para que pudessem ‘‘valorizar’’. ‘‘De forma alguma foi porque não tínhamos dinheiro’’, afirmou. Para recuperar as 19 bilhões de ações, a Paraná Investimentos não descarta a possibilidade de vender um lote menor de ações, utilizando o dinheiro para a operação. Este procedimento só poderá se viabilizar o mercado acionário estiver em alta nas Bolsas.

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